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Igreja Católica se prepara para receber padres casados

Por Sara Ritchey* – opiniaoenoticia.com.br

No domingo, 8, o Vaticano anunciou a criação do Ordinariato Pessoal da Cátedra de São Pedro, uma divisão especial da Igreja Católica, da qual antigos membros da Igreja Anglicana – especialmente alguns padres casados – podem fazer parte. O Vaticano frisou que a permissão para os padres casados será uma exceção e não será uma condição permanente do sacerdócio. Se um padre for solteiro quando se juntar à congregação, ele não poderá se casar. Um padre casado que se torne viúvo não poderá se casar novamente.

Ainda assim, a Igreja Católica está preparada para abrigar um grande número de padres casados, em quantidades não vistas desde os anos que antecederam o Primeiro Conselho de Latrão, que proibiu o casamento dos padres.

Agora, como na época, os críticos e defensores da Igreja estão ressuscitando argumentos sobre as consequências de permitir a presença de padres casados em uma instituição que costuma ser um tanto cautelosa com relação a eles. Mas em meio aos debates, é importante parar e considerar o ambiente que espera as esposas dos padres. Afinal seus papeis são ainda mais inusitados e estranhos que os de seus maridos.

Embora a igreja cristã, em seus primórdios, celebrasse a castidade, ela não tomou nenhuma decisão específica sobre o celibato dos sacerdotes até o movimento de reforma no século XI. Na ocasião, o grande propósito do celibato foi estabelecer uma separação clara entre os padres e os fiéis, elevando o clero.

Naquele cenário, a mera presença da esposa do padre atrapalhava esse objetivo, criando suspeita, e despertando o ódio da congregação. É difícil imaginar que espécie de sentimentos as esposas despertarão nos dias atuais.

As esposas dos sacerdotes então devem estar alertas ao tomarem parte na Igreja Católica. Sua posição é uma anomalia e, segundo o Vaticano, elas não receberão boas vindas permanentes na estrutura da Igreja. Seria prudente então, que o Vaticano honrasse a dignidade das mulheres e dos filhos dos padres casados. E que desse início a uma verdadeira conversa sobre a continuação do celibato entre os padres. Até lá, elas devem se manter cientes da tradição religiosa que as vê, nas palavras de Damião, como “encantadoras de padres, vírus da mente e material do pecado”.

* Professora assistente de história da Europa medieval na University da Louisiana, em Lafayette

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4 comentários para “Igreja Católica se prepara para receber padres casados”

  1. ⇒ Roos disse:

    Sexo é o pano de fundo. Não fazem idéia do que isso representa no matrimonio . Nada a ver com sexo promíscuo, é tudo mera semelhança

  2. ? Marcos Silva disse:

    Ser padre não é uma profissão como é a do médico,a do advogado,a do professor,a do enfermeiro,etc. Ser padre é assumir uma VOCAÇÃO na Igreja e no mundo,que implica uma doação total daquele que na Igreja Católica,ascende ao ministério sacerdotal. Respeito a opinião de todas as pessoas,mas acredito que a Igreja não impõe o celibato e sim propõe uma vocação que requer uma entrega total e exclusiva ao serviço do reino de Deus. O seminarista passa no mínimo sete anos no seminário ,se formando para o sacerdócio. É um tempo bastante longo para ele amadurecer sua vocação e decidir ou não por tão grande e sublime ministério. Portanto desde o primeiro dia de seminário,o candidato já sabe que terá que assumir livremente o estado celibatário. Com relação ao que o sr. Dimirson colocou é verdade: As “ Igrejas ´´ nacionais presentes aqui no Brasil,tais como,a ICAB,ICAI,ICARE,ICAC e tantas outras derivações ,ordenam geralmente homens casados ,que por uma razão ou outra ( não só pela questão do casamento ),não foram admitidos na hierarquia católica. Mas,ao meu ver ,são pessoas inconstantes que ficam passando de Igreja em Igreja,nunca firmando estabilidade em nenhuma. É comum vermos esses “ padres ´´ casados geralmente sendo ordenados na ICAB por exemplo,e depois de três meses já estão na ICAI e depois de um ano já se encontram na ICAC ou até mesmo pedem ingresso nas Igrejas Anglicanas. No fundo ,muitos deles ( não todos ) revelam uma profunda insatisfação no matrimônio,pois na verdade não foi para esse estado de vida que foram vocacionados. Infelizmente , essas Igrejas ditas nacionais ou brasileiras ,acabam por causa da “vocação mal resouvida de seus ministros ´´,perdendo a credibilidade de outras Igrejas mais organizadas e antigas como a Igreja Católica Romana,a Igreja Luterana, e as próprias Igrejas da comunhão anglicana. Portanto,o celibitato não deve ser encarado como uma imposição ,mas sim como um dom que Deus dá por meio de sua Igreja àqueles que foram verdadeiramente chamados a tão sublime e insubstituível vocação.

    • ⇒ Carlos Ferreira Santos disse:

      Irmão Marcos , o senhor citou a ICAC. Eu prestei serviços anos para a mesma em Campinas. Nunca se recebeu alguém da IGREJA CATOLICA APOSTOLICA BRASILEIRA. Não sei porque mas o bispo primaz da Icac Bom Jesus, segundo sei seus padres são formados por ela mesma em seus seminários. Mas pode ser outra ICAC esta que tem Diocese em Campinas não recebe padres de outras Igrejas. Recebeu dois apenas, sendo da nossa igreja romana e de outra que não sei o nome de cabeça em experiencia e depois sairam. Mas vamos rezar pois nosso Papa Francisco quer o melhor para todos.

  3. Pertençemos á Igreja Católica Apostólica Independente da Tradição Salomoniana. Nossa sucesão apostólica histórica advém desse Bispo aceito e reconhecido na Igreja de Roma, pelo então Bispo chefe da Igreja Romana João XXIII.
    Contudo padecemos de incompreensões e hostilidades ao nosso sistema eclesial por ordenarmos padre casados; incongruência absoluta por que Dom Salomão Ferraz foi aceito mesmo na condição de Bispo casado.
    Pe. Dimirson Holanda Cavalcante
    Natal/RN