Idade: a distinção mais mortal em todo o mundo

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Por que as pessoas mais velhas não estão ficando ainda mais velhas?
 
Algum dia iremos viver até os 150 anos? Em junho, uma ex-professora de 114 anos da Geórgia chamada Besse Cooper se tornou a pessoa mais velha do mundo. Sua predecessora, a brasileira Maria Gomes Valentim, tinha 114 anos quando morreu. Também tinham a mesma idade a pessoa mais velha antes dela, e a antes dela. Na verdade, oito das nove pessoas com o título de “mais velha do mundo” tinham 114 anos quando atingiram essa distinção. Aqui está a parte mórbida: todas estas, menos duas, ainda tinham 114 anos quando morreram. E essas duas? Morreram aos 115.

A celebração em volta de Cooper quando ela assumiu o título deveria vir acompanhada de condolências. Se a tendência histórica se mantiver, ela estará morta em um ano. Apenas sete pessoas cujas idades poderiam ser verificadas pelo Grupo de Pesquisa de Gerontologia conseguiram passar dos 115. Apenas duas dessas sete viveram para verem o século XXI. A pessoa mais velha de todos os tempos, uma mulher francesa chamada Jeanne Calment, morreu aos 122 anos em Agosto de 1997; ninguém desde 2000 chegou a cinco anos de desafiar a sua longevidade.

O que aconteceu com os medicamentos modernos que nos dariam vidas mais longas? Por que não estamos nos tornando mais velhos? Nós estamos vivendo por mais tempo – pelo menos alguns de nós. A expectativa de vida na maioria dos países tem aumentado gradativamente por décadas e o americano médio hoje em dia pode esperar viver 79 anos – quatro anos a mais que a média em 1990. Em muitos países desenvolvidos, os mais velhos estão entre os que mais crescem demograficamente, mas elevar o limite do tempo de vida útil está se tornando mais complicado do que aumentar a expectativa média de vida das pessoas.

Nos últimos anos, a contagem global de supercentenários – pessoas mais velhas que 110 anos – estabilizou-se em aproximadamente 80. E a idade máxima não se alterou. Robert Young, consultor sênior gerontológico para o livro Guiness dos Recordes Mundiais chama isso de “retangularização” da curva de mortalidade. Para ilustrar, ele aponta para o Japão, que, em 1990, tinha 3.000 pessoas com 100 anos ou mais, com a mais velha com 114. Vinte anos depois o Japão tem estimadas 44.000 pessoas acima dos 100 anos – e a mais velha ainda tem 114 anos.

Mesmo uma cura para o câncer ou doenças cardíacas faria pouco para estender o tempo da vida humana porque simplesmente existem muitos fatores de risco que se acumulam quando uma pessoa tem 115 anos.

Supercentenários provavelmente devem sua longevidade mais a genes bizarros do que a uma saúde perfeita. Calment fumou cigarros por 96 anos. Apenas uma descoberta tecnológica, talvez na área da genética, que desacelere o processo de envelhecimento, poderia mandar o tempo de vida lá para cima.

Deixe um comentário