Saúde  

Homens com depressão pós-parto devem buscar tratamento

Por Vivian Vasconcellos – opiniaoenoticia.com.br

Estudo publicado no jornal da Associação Médica Americana (Jama), nesta quarta-feira, 19, revela que 10% dos homens que tem filhos sofrem de depressão pós-parto. 

Não são só as mulheres que sofrem de depressão pós-parto. O fenômeno entre os homens ainda não é muito conhecido, e a maior parte deles não busca tratamento. O Estudo “Pré-natal e depressão pós-parto em pais e sua associação com a depressão materna”, da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, foi publicado nesta quarta-feira, 19, no jornal da Associação Médica Americana (Jama).

Para a Dra. Ana Carolina Barros da Cunha, do Departamento de Psicologia Clínica da UFRJ, o homem pode ser mais ausente, competitivo e até buscar relações extraconjugais durante esse período, em resposta ao estresse decorrente da mudança na vida do casal.

De acordo com a revisão de 43 estudos, com 28 mil participantes, os sintomas de depressão eram mais fortes entre o terceiro e sexto mês de vida do bebê em 10% dos homens. Neste período, o homem pode apresentar sinais de tristeza, ignorar o filho recém-nascido ou tentar separá-lo da mãe, passar mais tempo fora de casa, sentir-se nervoso, ter a libido diminuída e buscar relações extraconjugais.

“A depressão nos pais após o nascimento do bebê pode ocorrer devido a fatores de mudança abrupta na rotina do casal (ciclos de sono, hábitos e atividades pertinentes à vida intima do casal). A distância (separação) que por vezes é imposta ao casal devido à dedicação integral da mulher ao bebê também é outro fator importante”, comenta Dra. Ana Carolina ao Opinião e Notícia.

Causas

O estudo indica uma relação da depressão pós-parto materna e paterna que, de acordo com Ana Carolina, teriam causas, em sua maioria, semelhantes. A depressão seria mais provável de acontecer em um casal que apresenta uma relação mais frágil, sem uma base de relação firme para suportar situações de crise.

O despreparo do homem poderia causar um sentimento de impotência para cuidar de um ser tão frágil, onde ele não se sentiria adequado. A busca do homem por relações extraconjugais também poderia estar associada à rejeição de sua esposa, por estar integralmente dedicada ao bebê. Este pode “ser encarado pelo homem como um rival, aquele que divide a atenção da esposa com ele”, segundo a especialista.

Precaução e tratamento

A especialista explica que os homens também devem buscar ajuda psicológica, assim como a depressão pós-parto materna. Antes de o bebê nascer, ela chama atenção para os tratamentos preventivos. “Deveriam ser mais incentivadas iniciativas com grupos de casais grávidos. Através de um trabalho de intervenção psicoeducacional, ambos podem esclarecer dúvidas”, comenta. Para ela, esse processo é importante para a adaptação do casal e os preparariam para o período que está por vir, no qual o homem deve compreender seu papel de pai, em uma nova construção de família e sua importância no cuidado da mãe e do filho.

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