Saúde  

Grupo difunde táticas para espalhar o vírus do HIV

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timEnquanto cientistas desenvolvem uma molécula capaz de bloquear a infecção do vírus da Aids, uma descoberta que pode abrir caminho para uma nova terapia e uma vacina alternativa de combate ao avanço da doença, grupos de homens soropositivos têm usado táticas para infectar parceiros sexuais propositalmente.

Adeptos da modalidade “bareback”, na qual gays fazem sexo sem camisinha, têm compartilhado na internet dicas de como transmitir o HIV sem que o parceiro perceba. A prática é considerada crime e tem causado preocupação na área da saúde e também no meio LGBT.

Na internet e nas festas, os “barebackers” formam o “clube do carimbo”. Em blogs, eles compartilham diferentes técnicas para fazer sexo sem proteção ou furar a camisinha. Fotos e vídeos chegam a ilustrar o passo a passo. Um dos sites avisava que as férias escolares e o carnaval são os melhores momentos para “carimbar” (ato de transmitir o vírus), principalmente os jovens. Após inúmeras denúncias, o site foi retirado do ar.

Segundo o Ministério da Saúde, o aumento da infecção é maior entre os gays. Para Áurea Abbade, advogada e presidente do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids, a geração mais jovem desconhece o perigo da doença. “A gente tenta conscientizar e como resposta recebe risadas. Sinto medo de uma nova epidemia”.

Segundo Valéria Antakly de Mello, a coordenadora da equipe de psiquiatria do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo, transmitir propositalmente o HIV ao parceiro sexual ou se expor ao risco de contaminação de forma consciente são ações que caracterizam um transtorno psiquiátrico. “Embora sejam casos raros, há pessoas que, por revolta por terem sido contaminadas, querem que outros também peguem o vírus. Ou então têm medo da reação do parceiro se ele souber da condição do outro e acabam passando a doença para que pareça que os dois descobriram juntos. Nesses casos, existe um traço perverso de psicopatia”.

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