Gráfica suspeita de beneficiar o PMDB ficava em salão de beleza no Rio

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timA fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral suspeita que o salão de beleza Chaplin, situado na Rua Vinte e Quatro de Maio 1.345, no Méier, zona norte do Rio de Janeiro, seja usado como “laranja” pela empresa SL Confecções, que presta serviços gráficos a pelo menos 11 candidatos da coligação O Rio em 1º Lugar, que apoia a campanha do candidato ao governo do estado Luis Fernando Pezão (PMDB).

Os fiscais do TRE fingiram ser assessores de candidatos interessados na produção de material, mas a gráfica teria que fazer constar nas placas uma tiragem inferior à efetivamente entregue. “Claro que fazemos, essa é uma prática muito comum”, respondeu a recepcionista, que passou a citar nomes de candidatos que encomendam material com tiragem adulterada, sem saber que tudo estava sendo gravado.

A empresa SL Confecções opera no mesmo parque gráfico da firma High Level Sign, que já recebeu R$ 1,8 milhão pelo material fornecido para as campanhas de 11 candidatos da coligação, incluindo Pezão. Em seu site, a High Level lista entre os clientes o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio. De acordo com o TRE, a empresa “aparecia também como beneficiária em pelo menos onze boletos bancários de pagamento da Secretaria de Estado da Casa Civil”.

Segundo nota do TRE-RJ, a empresa pode fazer parte de um esquema de desvio de dinheiro público para elaboração da propaganda de candidatos da coligação. “Tratam-se de indícios que devem ser apurados pelas autoridades competentes”, disse um comunicado do órgão. Fotos, gravação, documentos e material irregular de campanha serão encaminhados ao Ministério Público Eleitoral e ao Ministério Público Estadual.

Os dados obtidos no site do Tribunal Superior Eleitoral sobre a prestação parcial de contas dos candidatos mostram que, além de Pezão, que gastou R$ 313,6 mil, usaram os serviços da gráfica Leonado Picciani (R$ 239,2 mil), Rodrigo Bethlem (R$ 232,3 mil), Rafael Picciani (R$ 195,3 mil), Marco Antônio Cabral (R$ 186,4 mil), Pedro Paulo (R$ 145,3 mil), André Lazaroni (R$ 76,2 mil), Jorge Picciani (R$ 51 mil), Carlos Osorio (R$ 40 mil), todos do PMDB. Jorge Felipe Neto (R$ 33,5 mil), do PSD, Cidinha Campos (R$ 33,2 mil), do PDT, Otavio Leite (R$ 2,9 mil) também usaram os serviços da gráfica. Na prestação, também aparece o nome de Hudson Braga, coordenador da campanha de Pezão, que pagou R$ 299,2 mil.

As investigações foram iniciadas após os candidatos a deputado federal Pedro Paulo (PMDB) e à deputada estadual Lucinha (PSDB) terem espalhado placas na Zona Oeste. Como a tiragem que foi declarada era pequena, a juíza Daniela Barbosa, que era responsável pela fiscalização da propaganda, determinou a verificação do endereço da gráfica, mas no local funcionava apenas o salão de beleza.

 

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Um comentário para “Gráfica suspeita de beneficiar o PMDB ficava em salão de beleza no Rio”

  1. ⇒ Paulo disse:

    O Pezão já disse que não sabe de nenhuma verba indo para esse local, mas a oposição insiste em ficar ligando o nome dele. Isso tudo é medo de perder a eleição? Ele é um cara honesto, se propôs a abrir toda a campanha dele para provar que não há nada de errado…