Governo de covardes!

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Por Claudio Schamis
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Sempre achei que o governo do PT fosse muito corajoso. Afinal, quem rouba tanto tem que ter coragem. E quem rouba de uma nação tem que ser ainda mais corajoso.

Governo, mostra a tua cara!

Governo, mostra a tua cara!

Mas confesso que estou decepcionado. Cadê essa coragem toda para agora admitir pelo menos que se continua errando em muita coisa na nossa visão, e em alguma coisa na visão deles do governo?

A covardia é tamanha que a presidente Dilma usa o condicional, “Se cometemos erros…” Como assim “se”? Não existem dúvidas. Não existe condicional. Assim como ainda em campanha disse que “Se houve desvio de dinheiro público…”

Falando ainda em covardia, Dilma descartou a CPMF, não só porque não íamos engolir isso de novo como a única solução para os males do governo. Faltou coragem de enfrentar um Congresso, um Senado e o momento em que vive um dos períodos mais delicados do governo petista, do governo Dilma, tanto na credibilidade quanto na própria crise política.

Mas a covardia não fica por aí. Ela é bem mais profunda. E grave. Tanto é que a equipe econômica do governo já acena com um aumento de impostos que não precisa ser votado nem no Congresso nem no Senado. Basta a presidente assinar o decreto. E aí estão a Cide – que no governo do Fernando Henrique Cardoso foi usado sobre os combustíveis –, o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Bonito isso né? Pois é. Vamos nos preparar.

Não foi à toa que a covardia fez também com que Dilma não aparecesse em cadeia de rádio e televisão para o pronunciamento no Dia da Independência do Brasil. Ela teve medo. Ela apareceu na internet, mas aí o grito dado por D. Pedro I em 1822, “Independência ou Morte” ficou abafado e quase ninguém ouviu.

E a covardia vai penetrando cada vez mais no governo, a ponto de fazer a presidente não seguir adiante com força e determinação no corte de despesas do próprio governo. Ceifar mil cargos comissionados não fará a diferença de que se precisa. Cortar ministérios é complicado para Dilma, porque ela quer evitar mexer com a base social que ainda tem ao seu lado, evitando perder o MST, se fosse, por exemplo, incorporar o Desenvolvimento Agrário à Agricultura ou ao Desenvolvimento Social e a extinção do Turismo.

Mas, antes de qualquer coisa, seria preciso que eles que estão lá dentro do governo se entendessem. Não é salutar ver que há uma rachadura grande dentro do próprio governo. O vice-presidente, Michel Temer, não pode ora defender o aumento de impostos e ora dizer que é a favor de cortes de despesa.

Só uma curiosidade: a taxa da propina, o desvio, o roubo, iriam ser incluídos nesses cortes? Ou isso seria um caixa dois do governo? Ah, esqueci que isso não existe.

Sei que a situação é delicada, mas querendo realmente achar uma solução, o governo Dilma acharia. O que não pode acontecer é o governo paralisar e achar que a única solução é criar algum imposto novo para justificar a sua incompetência e a nossa contribuição na “parcela sacrifício”.

Será que já não fomos suficientemente sacrificados? Precisamos continuar sendo? Já não demos o nosso sangue? Será que não é hora do governo sangrar um pouco? Garanto que não vai doer. Pode doer no bolso deles, mas eles vão superar a dor.

Mas é claro que um corte na própria carne não é a cara do PT. Para eles de vermelho basta a bandeira. Só que eles esquecem que a nossa bandeira é verde e amarela.

E a Lava Jato, José? (versão moderna de “E agora, José?”)

Enfim, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de inquérito, atendendo pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o atual ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, para investigar a denúncia de Ricardo Pessoa, empreiteiro da UTC de que financiou a campanha de Dilma Rousseff em 2014 à Presidência da República. Só aqui mesmo que um possível réu continua ministro. Acho que em qualquer outro país civilizado um suspeito de cometer um malfeito seria no mínimo afastado do seu cargo até tudo ser esclarecido.

E essa delação de Fernando Pessoa pode respingar ainda em Lula, que cá pra nós, foi e é o pai dessa quadrilha que ainda trabalha por aí. Tomara.

Mas é claro que a presidente Dilma irá dizer que não tinha como saber de onde vinha todas as doações, que isso era papel do tesoureiro. E de que ela tinha que cuidar de outra parte da campanha. Mas não sei quem é pior. Quem aceita dinheiro sujo ou quem mente dizendo que vai pintar o país de cor de rosa.

Salve as baleias. Não fume em ambientes fechados. Não jogue lixo no chão.

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