Gastos do governo para pagar juros somam R$ 248,9 bilhões

.

Em 2013, foram gastos com juros pelo setor  público nada menos que R$ 248,856 bilhões (5,18% do PIB), o maior volume de todos os tempos, representando 16,36% a mais do que ano no anterior (R$ 213,863 bilhões), segundo relatório do Banco Central divulgado no dia 31/01. O pior é que essa escalada no gastos com juros, isto é, de transferir imensos recursos para rechear os cofres dos bancos, se dá pela ação direta do próprio governo federal, que é quem, através do BC, determina a taxa básica de juros.

Assim é que, apenas no passado, foram feitos seis sucessivos aumentos, a partir de abril, quando a Selic foi aumentada para 7,25% ao ano, chegando novembro, na última reunião do ano do Comitê Política Monetária (Copom) do BC, a 10% – e já começou 2014 com mais um aumento de 0,5 ponto percentual, passando para 10,5%.

É só comparar, por exemplo, com o que foi gasto com Saúde e Educação, para ver que o governo usa dois pesos e duas medidas. Enquanto R$ 248,856 bilhões foram direcionados para os bancos, para despesas com Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) foram aplicados R$ 53,890 bilhões. Já para as Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), R$ 83,053 bilhões. Ou seja, para Saúde e Educação as despesas executadas somaram R$ 136,943 bilhões, o que significa R$ 111,913 bilhões a menos do que foi para o ralo dos juros. Os números sobre Saúde e Educação foram retirados do “Relatório Resumido da Execução Orçamentária da União – Sintético”, do Tesouro Nacional, de dezembro de 2013.

O resultado desse arrocho geral – Orçamento da União e estados e municípios –, obviamente, é o corte nas ações do governo, nos três níveis, em melhorar o atendimento da população, isto é, o dinheiro que falta para Saúde, Educação, Transporte etc. sobra para os bancos. Além disso, juro alto é totalmente incompatível com uma política de crescimento. Aumenta os custos das empresas, trava o investimento, desequilibra o câmbio, subsidiando as importações. Isso tudo sem afetar em nada o combate à inflação, pretexto usual para jogar o juro à estratosfera.

No entanto, a consequência para a indústria é um desastre total. Combinada com a crescente desnacionalização e a preferência dada às multinacionais e meia dúzia de empresas nacionais nos financiamentos do BNDES, a alta dos juros jogou a produção industrial no chão, em especial a indústria de transformação, o setor mais dinâmico da economia. Na avaliação do presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Pedro Luiz Passos, “a indústria brasileira obteve em 2013 o melhor resultado dos últimos três anos, mas esse não é um feito que mereça comemoração. Primeiro, o crescimento foi baixo, próximo a 1,5%, incapaz de compensar a queda de produção superior a 2% no acumulado dos dois anos anteriores. Segundo, mesmo essa tênue recuperação foi limitada, pois apoiada em apenas 2 dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE, veículos automotores e máquinas e equipamentos – justamente os que contaram com incentivos do governo sob a forma de juros menores nos bancos oficiais ou reduções de impostos”.

O principal meio para desviar essa dinheirama para o gasto com juros é o chamado superávit primário. Para garantir o intocável dinheiro dos bancos valer tudo, inclusive investir contra o seguro-desemprego, o auxílio-doença e invalidez, contanto que se mantenha intacto o dinheiro dos bancos. Para ficar apenas em dois exemplos, em 2013, o Bradesco teve um lucro líquido de R$ 12,011 bilhões e o Santander, de R$ 5,744 bilhões.

E assim iniciamos o ano com estimativa (otimista) de um PIB em torno de 2% para 2013 e nesse mesmo patamar para 2014. Muito pouco após os 2,7% de 2011 e 1% de 2012. Principalmente para um governo que iniciou com uma promessa de um crescimento médio de 5%. Só que resolveu enveredar pelo mesmo caminho que já tinha dado com os burros n’água, sob a administração tucana, e o governo Dilma resolveu copiar.

Por Valdo Albuquerque – http://www.horadopovo.com.br/

Deixe um comentário