Fundos de Investimentos: saiba como escolher

Taxa de administração e prazo conduzem investidor de fundos ao retorno visado

A taxa de administração é possivelmente o item mais importante na hora de escolher em qual fundo de investimento aplicar. Ela é dimensionada em termos percentuais, e descontada mensalmente do patrimônio investido somado à rentabilidade da aplicação. Por isso, antes mesmo de escolher o tipo de fundo – renda variável, fixa ou multimercado –, é preciso calcular o quanto essa taxa, normalmente informada ao investidor em termos anuais, vai diminuir do montante total aplicado. Além dessa redução, no momento do resgate, serão subtraídos do patrimônio final o Imposto de Renda e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)¹.

Para o sócio da Platina Invest, Ian Dubugras, uma taxa de administração é razoável quando a rentabilidade esperada com o fundo é cerca três vezes superior ao benchmark que o produto se propõe a alcançar. Por exemplo, um investimento que pretenda pagar o CDI + 6% ao ano. O gestor de renda variável da Concórdia Corretora, Thiago Tregier, exemplifica como a taxa de administração pode acabar penalizando o ganho final. No caso dos fundos considerados de “gestão passiva”, que seguem uma média de mercado, como um índice, até uma taxa de 2% ao ano (a.a.) pode ser alta demais, como em um fundo de renda fixa.

Tregier argumenta que o investidor se posiciona normalmente em renda fixa para agregar ao portfólio de investimentos mais liquidez, e sacar o dinheiro em situações de emergência. No entanto, do retorno final é diminuído os 22,5% da tarifa do IR, que de acordo com a Tabela Regressiva², só depois de seis meses aplicados, vai diminuindo. “Uma taxa de administração de 4% a.a., por exemplo, que é muito encontrada em fundos de varejo de bancos, se for cobrada em um fundo com histórico de retorno alto, compensa. Diferentemente, será se a opção tem uma rentabilidade em linha com o Ibovespa, pois além de render a média, ainda será descontado o imposto de renda e a inflação do período, que não pode ser desconsiderada quando calculado o ganho real”, detalha.

Além das taxas, o perfil do investidor e o prazo de investimentos também são fatores importantes na hora de decidir sobre quanto de uma carteira de investimentos alocar em fundos de investimentos e por qual categoria optar. Entre os tipos de fundos, os multimercados representam mais de 50% de todos os fundos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que, até metade do mês de outubro, eram 8.164. Desses, 4.729 são multimercado, 1.456, renda fixa, 488, referenciados (a maioria ao CDI), 1289 de ações, 122 de curto prazo, 60 deles cambial e 20 em dívida externa. Em 2009, foram agregados 1.149 novos fundos.

Abaixo, é possível saber como especialistas equilibram esses e outros fatores, e quais podem ser as opções mais adequadas ao cenário atual.

Renda Fixa

A gerente nacional de renda fixa da Caixa Econômica Federal, Aline Arruda, conta que entre os quase 20 fundos de renda fixa oferecidos pela instituição, os mais procurados até agora têm sido fundos pós-fixados, formados por papéis de crédito privado. “Eles estão sendo considerados de baixo risco e estão pagando taxas melhores, devido à queda de cinco pontos percentuais da Selic neste ano e, até há pouco tempo, a uma expectativa de aumento de juros somente em meados de 2010”, justifica a gerente.

Para aqueles investidores com perfil de risco um pouco mais arrojado, alguns produtos pré-fixados são alternativas consideráveis, apesar de serem mais voláteis que os pós-fixados. Fundos como esses tem mais de 51% da carteira formada por títulos públicos, que têm risco soberano. Outros pré-fixados são marcados a mercado e, por isso, dependem de uma variação diária, muito deles, de índices de preços.

Na Caixa Econômica, as taxas variam conforme o valor inicial aplicado. Quanto mais baixo é esse montante, maior a taxa. Por exemplo, de uma aplicação que comece com R$ 50,00, pode ter taxas entre 3% a.a. e 1,85% a.a., como há fundos de aplicação de R$30mil, que cobram 1,1% a.a. e de R$ 70mil, 0,85% a.a. Essa diferença é devida, não só ao valor, mas à estratégia e ao retorno a que se propõe obter o fundo.

Renda Variável

A parcela de uma carteira de investimento em fundos de ações depende muito da idade do investidor, na visão do gestor de renda variável da Concórdia Corretora, Thiago Tregier. Para quem é mais novo e está começando a investir, podem ser aplicados até 80% do seu portfólio nesses fundos. E à medida que passa o tempo, vai se reduzindo essa parcela, até inverter a relação para 20% em renda variável e 80% em renda fixa. A estratégia do fundo em quantos ativos e qual benchmark seguir depende muitas vezes do patrimônio do produto e do tipo de gestão. Para a do tipo “passivo”, um fundo pode ser formado por cotas das 100 ações que compõem o IBRX. Já opções com patrimônio de R$ 1 milhão, por exemplo, pode ter cotas de apenas 10 papéis.

Atualmente, a maior parte dos fundos de ações da Corretora Concórdia está alocada em setores da economia voltados ao mercado interno, e menos posicionados em empresas exportadoras, cujo risco é maior. Exceções são a Petrobras e a VALE. Esta especialmente porque está refletindo o crescimento da China e tem participação considerável no Ibovespa. No caso dos fundos de “gestão passiva”, de maneira geral, a Corretora dividiu seu portfólio em 25% de ações no setor petroquímico, 23% em bancos, 15% em mineração, 6,7% em siderurgia, 6,4% em elétricas, 1,35% em telefonia, e 22,2% em outras ações diversas. Os fundos de ações “ativos” estão posicionados em companhias de petróleo e gás, mineração, bancos e incorporadoras. Essas empresas agregam maior risco ao fundo. Em um fundo da Concórdia, por exemplo, elas constituem 5% da carteira, e do Ibovespa, 2,5%. Quanto à taxa de administração de opções mais agressivas como essas, o gestor observa que uma taxa de 4% a.a. se paga sozinha nos primeiros quatro meses, pois o produto busca por uma rentabilidade maior e, neste exemplo, esse produto, particularmente, acumula rentabilidade de 76,64% em 2009.

Multimercado

O prazo de investimento é outro fator preponderante para o retorno do investidor. Não só nos fundos de renda fixa, como de ações e multimercado, o tempo aplicado deve compensar a taxa de administração e também a variação do mercado que, nos últimos dois casos, é mais forte e difícil de prever. Conforme o sócio da Platina Invest, Ian Dubugras, não faz sentido ficar aplicado no curto prazo em um fundo multimercado. Outro detalhe fundamental é balancear a carteira de investimento e a composição do próprio multimercado, que é formado por ativos de diferentes mercados.

Para um portfólio de um investidor médio, ou seja, sem entrar em detalhes quanto ao perfil, Dubugras detalha o que poderia ser uma carteira de investimentos balanceada: 25% em caixa ou em fundos de renda fixa de baixo risco e liquidez, caso o investidor precise sacar o dinheiro; 25% em uma carteira de ações ou fundos, visando retorno no longo prazo; e 50% em multimercado, composto de diversos riscos. Mais de 30% poderia ser em ativos mais arriscados e, por isso, com rentabilidade superior. “A carteira balanceada permite ao gestor acompanhar oportunidades do mercado, e aplicar um pedacinho dela em cada uma”, justifica. Além disso, é interessante ter um portfólio que tenha um VAR – ou seja, uma volatilidade para cima ou para baixo – de cerca de 2% do patrimônio do fundo. O VAR é um balizamento e ao mesmo uma meta a ser considerada pelo gestor.


¹Todos os rendimentos, provenientes de aplicações financeiras em Fundos de Investimentos sem prazo de carência, são tributados pelo Imposto sobre Operações Financeiras – IOF, conforme determinação legal da Portaria 264, do Ministério da Fazenda. A alíquota é de 1% ao dia, limitado ao rendimento da operação, de acordo com a tabela abaixo, decrescente em função do prazo. Isto significa que quanto mais tempo o investidor deixar o dinheiro aplicado, menos IOF vai pagar, aumentando a sua rentabilidade. A partir de 30 dias de aplicação, o Imposto deixa de ser cobrado.


²De acordo com a Tabela Regressiva do Imposto de Renda (IR), quando resgate de uma aplicação é feita antes de seis meses da data inicial do investimento, são descontados 22,5% do seu rendimento bruto. Se o montante permanecer aplicado por mais seis meses, ou seja, 12 meses, o IR é de 20%. Se o prazo foi de dois anos, o imposto reduz para 17,5%. E acima de 24 meses, ele será 15%.

Deixe um comentário