Fora do armário e dentro de um cubículo

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

O mundo corporativo não é completamente amigável aos gays, mas as atitudes mudaram dramaticamente. Cerca de 86% das empresas no topo do ranking da revista Fortune hoje proíbem a discriminação com base na orientação sexual. Estas representavam 61% das empresas em 2002. Cerca de 50% também proíbem a discriminação contra transsexuais, comparado com 3% em 2002.

A Campanha por Direitos Humanos, um grupo de pressão norte-americano, mede as políticas corporativas para as minorias sexuais no seu “índice de igualdade” anual. Das 636 companhias que responderam a este questionário este ano, 64% oferecem os mesmos benefícios médicos para parceiros do mesmo sexo e para casais heterossexuais. Cerca de 30% marcaram fabulosos 100% no índice do grupo.

Este progresso também aconteceu em uma vasta gama de setores da economia. O grupo de empresas que receberam a nota mais alta no índice de igualdade previsivelmente contém várias empresas que contratam com base no talento, como bancos e consultorias. Mas também inclui gigantes industriais como a Alcoa, Dow Chemical, Ford, Owens Corning e Raytheon.

Lord Browne, o chefe da BP que renunciou após sua vida sexual virar manchete em 2007, disse que ele sempre se manteve no armário porque “era óbvio para mim que era simplesmente inaceitável ser gay nos negócios, e de maneira ainda mais definitiva no setor do petróleo”. Hoje a Chevron, um dos competidores mais ferrenhos da BP, tem uma avaliação de 100%.

O que causou essa revolução coorporativa? Grupos de pressão podem arrogar parte do crédito. Mas em grande parte ela aconteceu porque a mudança de atitudes na sociedade em grande escala reduziu o custo de ser amigável aos gays e ampliou as recompensas. Há uma geração no Ocidente, criar um ambiente de trabalho amigável aos gays poderia ofender a equipe heterossexual. Hoje, provavelmente, isso não vai acontecer. Mas deixar de tratar os gays com igualdade pode fazer com que eles procurem trabalho em outro lugar. Já que eles representam talvez de 5 a 10% do total de talentos globais, a intolerância torna uma companhia menos competitiva.

A revolução está longe de chegar ao fim. Quase metade dos entrevistados na pesquisa do Center for Work-Life ainda está no armário. E mesmo as companhias mais progressistas não podem compensar a intolerância no resto do mundo. É difícil chegar ao topo de uma companhia grande sem uma experiência no exterior. Mas a homossexualidade ainda é ilegal em 76 países – incluindo economias vibrantes como Dubai e Cingapura – e é punida com a morte na Arábia Saudita, Irã e em partes da Nigéria.

Ainda assim, a revolução gay no ambiente de trabalho é notável. Na maioria dos lugares as empresas são mais liberais que os governos. Nos EUA, por exemplo, até o ano passado os soldados podiam ser expulsos do Exército por serem gays; 29 estados ainda permitem a discriminação com base na preferência sexual. Nos próximos anos a revolução deve ganhar ainda mais espaço.

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