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Fifa tenta esconder prova contra Ricardo Teixeira

Especial da emissora britânica BBC mostrou que o presidente da CBF fez um acordo para escapar de um processo de corrupção na Suíça.
 
Um jovem e obstinado jornalista alemão, Jens Weinreich, repórter do jornal Berliner Zeitung e autor de vários livros sobre corrupção no esporte, conta no documentário “Intocável”, dirigido por ele próprio em 2004, que o senhor Josef Blatter, presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa) desde 1998, costuma dizer: “Se temos problemas em nossa família, resolvemos os problemas em família”. Vito ou Michael Corleone diriam o mesmo.

Pois nesta segunda-feira, 23, o programa “Panorama”, da BBC de Londres, exibiu um especial mostrando que a Fifa está se esmerando de todas as formas para impedir a divulgação de um documento que revela a identidade de dois altos dirigentes de futebol que foram obrigados a devolver dinheiro de propina em um acordo para encerrar um investigação criminal na Suíça no ano passado.

A Fifa tenta esconder a identidade dos dois dirigentes corruptos, mas a principal fonte do programa da BBC, o jornalista escocês Andrew Jennings, é categórico: “Um deles é o ex-presidente da Fifa João Havelange. O outro é o seu ex-genro Ricardo Teixeira. Ele é membro do comitê executivo da Fifa e encarregado da próxima Copa do Mundo no Brasil”. Ricardo Teixeira é presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde 1989.

Teixeira recebeu US$ 9,5 milhões em suborno

Os advogados da Fifa recorreram da decisão de um tribunal da cidade de Zug, na Suíça, que atendeu à solicitação feita pelo jornalista local Jean François Tanda para a divulgação de detalhes do acordo na Justiça. O caso envolve o pagamento de propinas na ordem dos US$ 100 milhões a dirigentes da Fifa na década de 1990 pela empresa de marketing esportivo ISL, que faliu em 2001, com o objetivo de comprar os votos dos corruptíveis “cartolas” para decidir as sedes das copas do mundo e para garantir à própria ISL contratos de marketing dos torneios.

Só Ricardo Teixeira teria recebido a bagatela de US$ 9,5 milhões, dinheiro devidamente depositado em uma conta de uma empresa fantasma registrada no Liechtenstein. A Fifa se recusa a falar sobre o caso. João Havelange e Ricardo Teixeira se recusaram a falar com a reportagem da BBC. Como nos anos 1990 receber suborno não era considerado crime na Suíça, os acusados no processo de propina negaram “responsabilidade criminal”, como consta nos autos do processo, mas não negaram que tenham recebido suborno.

A rigor, as denúncias sobre o envolvimento de Ricardo Teixeira com o caso das propinas da ISL já eram conhecidas pelo menos desde dezembro do ano passado. Faltava um documento para comprová-las.

‘Quando o governo brasileiro vai dizer basta?’

O documento é exatamente este que a Fifa, que gosta de resolver os problemas “em família”, ora tenta tapar com fumaça, mas do qual uma emissora do porte e da credibilidade da BBC já divulgou, em horário nobre, o teor, dando nome aos bois. O documento provavelmente é o relato da audiência com Ricardo Teixeira no tribunal de Zug na qual o presidente da CBF admite o recebimento de suborno.

A fonte número um da BBC e inimigo número um da Fifa, Andrew Jennings, acaba de lançar no Brasil o livro “Jogo Sujo – o mundo secreto da Fifa”, que Josef Blatter também tentou proibir. Em entrevista ao canal a cabo ESPN Brasil, Jennings deixou uma pergunta no ar: “Quando o governo do Brasil vai dizer basta?”. O governo não pode intervir na CBF, mas pode, ainda mais às vésperas de uma Copa do Mundo no Brasil, posicionar-se e pressionar, sobretudo por meio do ministro dos Esportes. Até agora, nada.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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Um comentário para “Fifa tenta esconder prova contra Ricardo Teixeira”

  1. ? Ivanildo Cintra disse:

    Por onde anda esse Ricardo Teixeira faz falcatruas….não sei qual o santo que o protege, está se perpetuando na CBF e ninguém fala nada…