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Fifa: bilionária entidade sem fins lucrativos

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Fala-se muito no legado que uma Copa do Mundo de futebol pode deixar para o país-sede do evento. Agora mesmo, alardeia-se inúmeros benefícios não apenas para a África do Sul, que recebe a Copa 2010, e sim para todo o continente africano, mas da promessa à sua concretização muitas copas podem passar embaixo da ponte. Fala-se também nos incalculáveis benefícios que um mundial de futebol pode proporcionar às empresas que pagam alto para associar suas marcas ao evento, mas nem isto é preto no branco. Certeza, certeza mesmo sobre “o poder do futebol”, só o de que ele vem enchendo cada vez mais os cofres da toda-poderosa Fifa.

Em 1993 a entidade máxima do futebol mundial amargava um déficit de US$ 11 milhões. Há dez anos, tinha “míseros” US$ 42 milhões em reservas financeiras. Hoje, tem um caixa mais de 20 vezes maior: US$ 1 bilhão. Este dado foi anunciado oficialmente pouco antes do pontapé inicial da Copa do Mundo da África do Sul, na 60ª edição do congresso anual da Fifa. E este não foi o único número orgulhosamente ostentado pela manda-chuva da bola.

‘Não somos ricos’

Em seu discurso feito no 60º congresso da Fifa, o presidente da comissão de finanças da entidade, o argentino Julio Grandona, divulgou ainda um superávit de US$ 196 milhões em 2009, ano apenas de véspera de Copa do Mundo. A entidade também aprovou o orçamento para a Copa de 2014 no Brasil: US$ 1,38 bilhão, US$ 300 milhões a mais do que o dinheiro gasto na organização da Copa da África do Sul, onde a expectativa de arrecadação é de US$ 3,2 bilhões. Palavras do presidente da Fifa, Josef Blatter: “Estamos em uma situação muito boa, mas eu não diria que somos ricos”.

Talvez ele se refira ao fato de que os números da Fifa não são comparáveis, por exemplo, aos das gigantes dos setores siderúrgico, bancário, petrolífero, de mineração e que tais, mas a Fifa não é uma empresa, não tem acionistas, não paga dividendos, não precisa se preocupar com valor de mercado, suas ações não oscilam nas bolsas de valores mundo afora quando, por exemplo, uma Copa do mundo é ameaçada por greves de operários ou quando um país tropical se mostra incapaz de apresentar um estádio de acordo para que sua maior cidade possa receber partidas de um mundial de seleções. Não parece, mas a Fifa é uma organização sem fins lucrativos.

De onde vem tanto dinheiro?

Os recursos que a Fifa arrecada são gastos basicamente com a organização das competições que acontecem sob a sua batuta, suas normas e entre seus filiados, como as Copas do Mundo e as copas dos campeões das confederações regionais. A Fifa também paga salários vultosos (ainda que não divulgados) para seus dirigentes, e gasta um bom dinheiro para remunerar seus funcionários em geral (só na sede da entidade, em Zurique, trabalham 310 pessoas).

A toda-poderosa do futebol profissional ainda repassa verbas para as federações afiliadas, que têm direito a voto, em um jogo de recíproca generosidade que explica as sucessivas reeleições dos seus dirigentes. No mais, promove ações em prol do desenvolvimento do futebol ao redor do mundo, cultivando sua matéria-prima, financia cursos de especialização e paga prêmios cada vez mais gordos: os que serão pagos às seleções que se classificarem para disputar o torneio de 2014 serão três vezes maiores do que os das seleções que estiveram na Copa de 2006, na Alemanha.

E de onde vem tanto dinheiro? A Fifa tem duas grandes principais fontes de receitas: a venda de direitos de transmissão dos seus eventos futebolísticos para a TV e as cotas de patrocínio. Simples assim, como um jogo de 11 para cada lado correndo atrás de uma bola.

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Um comentário para “Fifa: bilionária entidade sem fins lucrativos”

  1. ? Giba disse:

    Muito bom o texto, parabéns!!!