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Fidel Castro: o aniversário do último grande líder do século XX

Por João Luiz Machado – opiniaoenoticia.com.br

O ícone comunista faz 84 anos em plena sexta-feira 13. Ele é o último símbolo de uma era em que as pessoas acreditavam em ideologias e lutavam por elas.

Na semana passada, Fidel Alejandro Castro Ruz apareceu em público após uma boa temporada sumido. Desde que há quatro anos ele divulgou que estava com um problema de saúde, o líder comunista não é mais uma figura tão frequente. Pudera: os 84 anos que ele completa na sexta-feira 13, do mês de agosto, esse mesmo já associado ao desgosto, não é para qualquer companheiro.

De uns tempos para cá, e voltando à velha forma, ele já até afirmou que estava bem fisicamente, lançou uma autobiografia, fez discurso no Parlamento cubano, apelou para o grande irmão Obama – para que se evite uma guerra nuclear -, mas a verdade é estranha: ainda se dá muita importância para Castro.

Sob qualquer viés que se olhe – com a exceção da nostalgia -, a República de Cuba é, hoje em dia, um pequeno país no Caribe onde ainda se brinca de socialismo. Os relatos de quem a visitou recentemente são sempre parecidos: a única coisa que o comunismo cubano divide entre a população na atualidade é a pobreza. Por que, então, ainda se fala tanto nos jornais sobre a Ilha?

Talvez porque Cuba foi o mais próximo da utopia comunista que nós, da América Latina, tivemos, e eles, da América do Norte, tiveram. Durante um tempo, a ilha era associada ao paraíso para todos os esquerdistas: tinha educação, saúde, esporte para todos. E como o pesadelo para os direitistas, pelos mesmos motivos. E não se pode tirar o mérito de Castro nisso. Foi ele quem derrubou uma ditadura capitalista para montar a sua, socialista.

Direita e esquerda estão há séculos tentando responder se é melhor um país pobre e digno ou um país desigual, com uma minoria tendo acesso a luxos, enquanto a maioria absoluta da população grama diariamente. E mesmo que o muro de Berlim tenha caído há mais de duas décadas, está aí Plínio Sampaio – candidato do PSOL à presidência – e seus eleitores que não nos deixam mentir: ainda há gente que acredita em uma sociedade igualitária.

Mas voltando a Fidel: com sua subida ao poder, ficou acertado um pacto entre os seus súditos: quem concordasse com o regime continuaria em “liberdade”. Quem discordasse – e há muitas maneiras de discordar dele – sofreria as consequências. Do mesmo modo que Cuba ficou conhecida internacionalmente por dar oportunidades iguais a todos, também ficaram famosos os casos de perseguição a dissidentes – sem distinção.

Mesmo que nunca tenha havido um país comunista, na sua proposta mais marxista do termo, mesmo que todos os países que se dizem socialistas sejam ditaduras, Cuba ainda está em voga, continua como pauta, aparece nos jornais, nos sites e nas TVs com tanta frequência simplesmente porque Fidel continua – razoavelmente – inteiro.

Diferentemente de Ernesto Che Guevara, seu maior parceiro na conquista da ilha, ou na revolução, como gostam seus partidários, ter virado uma marca após a sua morte, Fidel continua vivo – apesar de vivo. Mesmo sem a sorte de seu camarada de ter desaparecido romântica e imaculadamente jovem, Fidel representa a esperança de algo que nunca foi, mas poderia ter sido, principalmente para quem não mora em Cuba. A nostalgia daquilo que não é possível ser contra: a imaginação. A esperança que não acaba nunca, porque nem começou a ser vivida na realidade. Ele é o último ícone de um século em que as pessoas acreditavam em ideologias e lutavam por elas. Ele é o marco de gerações que queriam crer na possibilidade de um mundo mais justo, mais igual entre as pessoas. Ele é o personagem exótico que teima em sobreviver para mostrar que um dia houve alternativa ao pensamento dominante. Com a sua morte, que virá, dia mais ou dia menos, vai embora um pedaço da história – e todo o nosso interesse na ilha.

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