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Fatos inexplorados da história da Bulgária

BulgariaTragédias e erros espalham-se pelas fronteiras da Europa. Mas na região montanhosa no sudeste do continente, onde a Cortina de Ferro separou a Bulgária comunista da Grécia capitalista e da Turquia, esses traumas são mais acentuados. A região ainda é perseguida pelas lembranças dessa divisão, e por reinos, povos e guerras desaparecidos. O livro pungente, erudito e espirituoso de Kapka Kassabova, Border: a journey to the edge of Europe, relata fatos inexplorados da história desse país dos Bálcãs.

O tema central do livro é fronteiras. Linhas no mapa desenhadas e policiadas pelos poderosos, que protegem determinados interesses e, ao mesmo tempo, dividem outros. “Uma fronteira ativamente policiada é sempre agressiva”, escreveu a autora. “É onde o poder adquire um corpo, ou um rosto humano, e uma ideologia.”

A era pós-comunista trouxe novos problemas: corrupção, disputas nacionalistas mesquinhas e degradação ambiental. O livro de Kassabova cita com desprezo as pessoas de caráter duvidoso, os valentões pagos para amedrontar os mais fracos e políticos distantes, cuja avareza e negligência causaram tantos danos e infelicidade.

Ela inspirou-se em escrever o livro depois de testemunhar o “nivelamento grosseiro” de seu lar adotivo nas Terras Altas da Escócia e, mais tarde, ao ajudar os búlgaros a limpar uma área após uma inundação causada pela exploração madeireira ilegal e o roubo de areia. “Algo precisa ser feito. Embora não more mais na Bulgária ainda acredito na justiça.”

Kassabova tem um talento especial para descrever mitos fantásticos locais, como faróis de civilizações extraterrestres, misteriosas bolas de fogo, pirâmides perdidas e um local secreto guardado por víboras uzbeques especialmente criadas. O primeiro relato da região foi feito por Heródoto no século V a.C.  A autora carrega com entusiasmo a tocha do primeiro historiador do mundo. Sua escrita também tem ecos da caminhada épica de Patrick Leigh Fermor pelos Bálcãs antes da guerra.  Mas seu estilo irônico e conciso não tem a autoindulgência da narrativa de Fermor, o que lhe dá mais vigor.

Fonte: Opinião&Notícia

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