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“Eu não sou Charlie Hebdo”diz artigo do ‘NYT’

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timthumb.phpO New York Times publicou nesta sexta-feira, 9, um artigo do David Brooks contestando o movimento “Je suis Charlie”, que ganhou as redes sociais e a internet como símbolo de solidariedade ao jornal satírico após o ataque na última quarta-feira, 7.

No polêmico artigo, intitulado “I am not Charlie Hebdo” (Eu não sou Charlie Hebdo, em inglês), o colunista fala que os chargistas franceses mortos no ataque estão sendo lembrados como mártires em nome da liberdade de expressão. Mas, segundo Brooks, se eles tivessem tentado publicar o conteúdo do Charlie Hebdo em qualquer campus de universidade americana, o jornal não duraria 30 segundos. Isso porque grupos de alunos e do corpo docente teriam acusado o veículo de discurso de ódio. A administração teria cortado seu financiamento e o jornal seria fechado.

O artigo diz que a reação pública ao ataque em Paris, revelou que muitas pessoas glorificam aqueles que ofendem os pontos de vistas de islâmicos na França, mas que são bem menos tolerantes aos que ofendem suas próprias visões e crenças. O colunista citou como exemplo o caso da Universidade de Illinois, que demitiu um professor por ensinar a visão católica romana sobre o homossexualismo.

O texto afirma que esse pode ser um momento de aprendizado, pois o choque da morte dos chargistas é uma boa hora para adotar uma abordagem menos hipócrita sobre nossas próprias figuras controversas, provocadoras e satíricas.

“Apesar de qualquer coisa que você tenha posto na sua página do Facebook ontem, é impreciso para muitos de nós reivindicar por um ‘Je Suis Charlie Hebdo’, já que a maioria de nós não está realmente engajada nesse tipo de humor deliberadamente ofensivo que esse jornal se especializou”, diz o artigo.

Brooks também afirma que ridicularizar crenças religiosas pode parecer ousado para “impressionar a burguesia” quando se tem 13 anos. Porém, depois de um tempo, ridicularizar fica bem menos engraçado quando você mesmo se torna um alvo frequente.

O artigo fala ainda que as pessoas que querem ser escutadas atentamente têm que merecer isso pela sua própria conduta. “O massacre em Charlie Hebdo deve ser uma oportunidade para acabar com códigos do discurso. E deveria nos lembrar sobre como ser legalmente tolerantes com vozes ofensivas, mesmo se nós mesmos sejamos socialmente descriminados”, finaliza o artigo.

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