Estudo mostra que ricos são mais egoístas

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Na pesquisa norte-americana, os participantes de classes sociais mais baixas se mostraram mais solícitos e caridosos.

Um estudo feito na Universidade da California mostrou o contrário do que até então era aceito. As pessoas de classes sociais mais baixas são mais inclinadas à caridade do que as classes superiores. O especialista Paul Piff e seus colegas publicaram a pesquisa no jornal “Journal of Personality and Social Psychology”.

No primeiro experimento, a equipe recrutou 115 pessoas. Para começar, esses voluntários eram convidados a realizar atividades de falsificação, com o objetivo de criar uma impressão enganosa sobre os propósitos da pesquisa. Eventualmente, para cada um foi dito que havia um parceiro anônimo sentado em uma sala diferente. Os participantes receberam, cada um, dez créditos. Eles tinham a tarefa de decidir quantos créditos deveriam ficar com eles e quantos deveriam ser transferidos para seus parceiros. Eles também foram avisados que os créditos valeriam dinheiro de verdade ao final da pesquisa e que seus parceiros não teriam direito de interferir na decisão.

Uma semana depois de a pesquisa ter início, os voluntários responderam perguntas sobre si mesmos, como religião, classe social, idade, sexo etc. Durante essa parte do estudo, eles receberam um desenho de uma escada com dez degraus. Cada degrau representava pessoas de níveis diferentes de educação, renda e ocupação. Eles tinham que assinalar o degrau que acreditavam estarem inseridos em relação aos outros de sua própria comunidade.

A média de créditos que as pessoas deram foi de 4.1. No entanto, a análise dos resultados mostrava que a generosidade crescia conforme a tributação da sua própria classe social caía. Aqueles que se colocaram no fim da escada deram 44% a mais de seus créditos do que aqueles que se inseriram no alto. Isto aconteceu mesmo quando se considerou os diferentes níveis de escolaridade, sexo, idade e religião.

Em experimentos de acompanhamento, os pesquisadores pediram aos participantes para imaginar e escrever sobre uma interação hipotética com alguém que era muito rico ou muito pobre. Os pesquisadores então pediram aos participantes para indicar qual a porcentagem da renda de uma pessoa que deve ser gasta em doações de caridade. Eles descobriram que os participantes de classe baixa e aqueles que foram induzidos a se classificar como classe baixa disseram que uma boa parcela do salário deve ser utilizada para apoiar a caridade, aproximadamente 5.6%. Enquanto isso, as classes superiores disseram que 2.1% do salário deveria ser doado.

A experiência final tentou testar o quão solícitas são as pessoas de classes diferentes quando expostas a uma pessoa necessitada. Desta vez, os pesquisadores mostraram videoclipes que mostravam situações que pediam mais ou menos compaixão. Depois, eles analisaram a reação dos participantes ao ver que um deles estava atrasado nas tarefas e precisava de ajuda. Quem demonstrou mais companheirismo e compaixão foram os de classes mais baixas.

Uma interpretação disso pode ser que pessoas egoístas acham que é mais fácil se tornar rico. Piff se sugere que o aumento da compaixão que parece existir entre os pobres aumenta a generosidade e promove um nível de confiança e de cooperação que podem revelar-se essenciais para a sobrevivência em tempos difíceis.

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