Estudo mostra que generosidade excessiva gera antipatia

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Segundo pesquisa, pessoas regem mal ao altruísmo por reconhecerem falhas em seu próprio comportamento.

O egoísmo não é a melhor maneira de fazer amigos e influenciar pessoas. Mas o altruísmo também gera repulsa. Essa é a conclusão de um estudo de Craig Washington, da Universidade Estadual de Washington, e de Asako Stone, do Instituto de Pesquisa do Deserto de Nevada. Os pesquisadores descrevem, num artigo publicado na mais recente edição do Journal of Personality and Social Psychology, como e porque os generosos e altruístas são capazes de irritar a todos à sua volta.

Num dos primeiros experimentos, vários estudantes de psicologia participaram de um jogo numa rede de computadores com outros quatro jogadores identificados por cores. Os estudantes não sabiam, mas os quatro outros jogadores eram, na verdade, controlados por computador.

Todos os participantes – reais e virtuais – recebiam dez pontos no começo de cada rodada, e tinha a opção de guardá-los ou colocá-los, inteiramente ou apenas parte deles, numa pilha coletiva. Os pontos colocados na pilha tinham valor dobrado, e cada participante poderia sacar um quarto do valor para seu próprio estoque. O incentivo para manter o saque abaixo de um quarto era o fato de ao fim do jogo, pontos de bônus serem distribuídos aos participantes, caso a pilha ultrapassasse um limite negativo não-especificado.

O segredo da pesquisa estava no fato de três dos quatro participantes contribuírem generosamente para a pilha, e realizarem saques modestos, enquanto um quarto – mais egoísta – não contribuia e sacava o valor máximo. Esse mesmo participante virtual também passava por uma mudança de comportamento e, em outras experiências agia de maneira estranha, com lampejos de extrema generosidade.

Após o fim dos jogos, os pesquisadores perguntaram aos estudantes, com que jogador eles preferiam nunca mais jogar. O jogador egoísta, é claro, foi o escolhido. Mas os cientistas notaram que os participantes reais também desenvolveram uma antipatia pelo jogador excessivamente generoso e passaram a estudar as reações dos estudantes com relação ao jogador altruísta.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a antipatia pelo jogador generoso não surgiu por ele ter sido percebido como alguém incompetente ou imprevisível. As respostas se dividiram basicamente em duas categorias: “Ele faz com que nossas ações repercutam mal”, e “se você doa muito, deveria usar muito”. Em outras palavras, os jogadores estavam avaliando suas próprias reputações pelos olhos dos outros jogadores, e também o ganho prático do jogo, e sentiram que comparados ao jogador generoso, seu comportamento havia deixado a desejar. O excesso de virtude estava sendo encarado como um hábito ruim. Isso talvez explique porque muitos santos acabaram como mártires. Eles simplesmente eram muito irritantes.

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