Estamos ficando mais burros?

Se você ligar a TV, fizer testes padronizados ou passar uma hora de bobeira no YouTube, é difícil não imaginar: a nossa espécie está regredindo? As pessoas estão ficando mais burras? Por James Flynn

Em um teste de QI, uma pessoa comum estaria hoje 30 pontos acima dos seus avós, então não estamos ficando mais burros. Mas será que somos mais inteligentes? Essa é uma questão mais complicada. Na verdade, é o tema do meu próximo livro: Estamos ficando mais inteligentes? Aumento do QI e o Século XXI.

Se a pergunta é “Temos um cérebro com maior potencial ao nascer?” ou “Nossos ancestrais eram muito estúpidos para lidar com o mundo concreto do dia-a-dia?”, a resposta é não. Se a pergunta é “Vivemos em um tempo que representa uma maior variedade de problemas cognitivos do que nossos ancestrais encontraram?” e “Será que desenvolvemos novas habilidades cognitivas e o tipo de cérebro que consegue lidar com elas?”, a resposta é sim.

Eu preferiria dizer que nossas mentes são ‘mais modernas’ do que aquelas dos nossos ancestrais. Eles viviam em um mundo que era concreto e utilitário. Em 1900, crianças na escola eram perguntadas “Quais são as capitais dos estados do país?”. Hoje, elas são perguntadas “Se representantes rurais dominassem a legislatura estadual, onde colocariam a capital?” (a resposta é que, por eles odiarem grandes cidades, colocariam a capital do estado em Albany ao invés de Nova York, por exemplo). Em outras palavras, nós levamos a aplicação de lógica a situações hipotéticas a sério, além disso, claro, jogamos vídeo games que nos levam a mundos hipotéticos e simbólicos.

Como resultado, estamos mais bem preparados para aprender sobre ciência, que lida com hipóteses e abstrações, e até para pensar melhor sobre ética. Se você perguntasse ao meu pai, “E se você acordasse um dia e fosse negro?”, ele diria que isso é ridículo. Mas um racista moderno teria que levar a questão mais a sério. Ele teria que dizer que negros são dignos de discriminação não apenas por serem negros, mas por causa de algum defeito genético. Imediatamente, a objetividade da ciência entra no debate e o leva a um nível superior.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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