Era uma vez…

Era uma vez, um político chamado José Genoino, que tentava passar para todos um atestadogenoiino2711-300x168 de pobre coitado, se dizia um preso político, inocente, injustiçado e doente. Mas, era uma vez, também, um político chamado José Genoino, que não tinha nenhuma doença grave, de pobre não tinha nada, e de coitado muito menos. Era um coitado sim – mas por outros motivos –, era um político preso, de inocente não tinha nada e era um inválido como político e não um político inválido, como queria fazer com que todos da Câmara acreditassem e, com isso, tentaria a sua aposentadoria por invalidez para escapar da cassação de seu mandato. O que seria um prêmio.

Era uma vez, uma parte do povo que acreditava que Genoino merecia estar na casa da sua filha recebendo o melhor tratamento que o dinheiro pode pagar. Mas, era uma vez, também uma junta médica que esqueceu quem ele é e o avaliou de forma justa. Só falta aparecer algum petista dizendo que todos os médicos foram comprados. Cuidado quando forem afirmar isso, pois a classe médica não merece levar essa para casa.

Era uma vez, um escrevinhador que achava que o lugar de Genoino era onde ele estava – na cadeia – e que podia se dar ao luxo de receber todo o tratamento que o governo podia dar a um preso. E não é só o escrevinhador que achava isso. Muita gente achava. Até um padre também achava isso e um pouco mais. O padre Valdir, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi mais além e criticou o livre acesso de políticos e de amigos e parentes dos condenados do mensalão nas visitas ao Complexo da Papuda. Para ele, e para mim também, os visitantes deveriam receber o mesmo tratamento, ou seja, deveriam ser submetidos às revistas, ainda que humilhantes e vexatórias, até para conhecerem a realidade do sistema carcerário do país. Nunca ouvi falar em visitante com foro privilegiado só porque é político, amigo de político ou parente de político. Eles próprios da Pastoral sempre passaram por revistas rigorosas para chegar até os presos, por que então essa discriminação? Nada impede que um amigo de Dirceu, Genoino entre com um celular, uma televisão LCD, ou com uma quentinha com camarão e caviar na cueca. Preso é preso!  E visitante de preso é visitante de preso!

Vou rezar para que o Supremo Tribunal Federal seja coerente, justo e acate os laudos médicos e ponham José Genoino onde ele deveria estar: na cadeia, recebendo, quando preciso, tratamento no ambulatório da Papuda. E que ele se sinta privilegiado, pois tem muito presídio que nem tem módulo para atendimento médico.

E o salário oh…..

dirceu2711-300x212Curriculum Vitae!

Só poderia ser brincadeira – de mau gosto – se não fosse verdade. Mas, infelizmente, é verdade. Lembro muito bem quando José Dirceu se tornou ex-ministro e, logo em seguida, foi convidado pelo já falecido Jornal do Brasil para ser colunista com um salário de R$ 40 mil. Na época, fiquei chateado, muito chateado, revoltado, muito revoltado, emp***tecido, muito emp***tecido e muitos outros sentimentos, mas que pelo horário só iria aparecer o piiiiiiiiiiiiiiiii. Tentei refletir, ponderar e cheguei a nenhuma conclusão que justificasse tal convite que chega a ser acintoso em qualquer época, ainda mais se tratando de quem é.

O tempo passou, o currículo de Dirceu foi incrementado ainda mais, ele foi condenado como o pai do mensalão – eu ainda acho que existe um pai biológico por aí – e que agora está perto de se tornar gerente administrativo do Hotel Saint Peter, em Brasília, com um salário de R$ 20 mil, sendo que a gerente geral ganha R$ 1,8 mil. Mágica? Uma boa ação de uma alma caridosa que acha que Dirceu necessita de emprego e de um salário tão alto assim? Ou interesses escusos subliminares? Vale lembrar que um dos sócios do hotel, é Paulo Masci de Abreu, que vem a ser irmão do presidente do PTN, José – outro José – Masci de Abreu que é a legenda nanica que integra a base aliada da presidente Dilma. Ou seja… Ou seja, tem mosca nessa sopa. Eu diria até, tem rato nesse queijo. Nada é por acaso. Ainda mais tendo os donos do hotel concessões do governo. Melhor não falar mais nada, pois depois ele não é contratado por ter ficha criminal, suja, vão depois dizer que é inveja, é golpe da oposição de querer ver a imagem do PT na lama e que isso é uma tentativa de associar o conceito de que um preso de peso não pode ter uma chance de tentar a sua inclusão social novamente. E talvez avancem, dizendo que isso que acontece com José Dirceu pode ser o começo de uma nova era para os presos e que eles acreditem que um dia isso poderá acontecer com eles também. Que se Dirceu pode, qualquer outra pessoa presa também é capaz de ter o emprego e salário dos sonhos de qualquer preso.

Mas, se para o hotel conta a experiência em como arquitetar esquemas de corrupção, tráfico de influência e outras coisitas mais, eles estarão com um funcionário padrão!

O presidente da Câmara, Henrique Alves, num momento de prece para tomar a melhor decisão com relação a invalidez de Genoino

E enquanto isso na Câmara…

henrique27.111-300x133Sinceramente, não sei qual a questão para que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ficar enrolando sobre a questão da cassação do mandato de Genoino. Primeiro, foi o próprio Genoino que enviou ofício ao presidente da Casa, pedindo a concessão da aposentadoria por invalidez que livraria ele próprio, Genoino, da cassação do seu mandato. Paralelo a esse ofício, houve também o pedido de vista do amigo – só pode ser – deputado André Vargas (PT-PR), o que fez adiar a votação sobre a abertura, ou não, do processo de cassação. A Câmara espera o laudo da junta médica da Casa. Manobra ou não, vamos ter que aguardar. Henrique diz que a situação de Genoino é muito séria e não deve ser influenciada por questões político-partidárias, mas é bom lembrar que enquanto nada disso acontece, José continua recebendo seu salário de “parcos” R$ 26.723,13. Nada mal para um condenado como ele. E vale dizer que o problema de saúde dele não deveria ser fator de decisão para ele ganhar de bandeja a aposentadoria por invalidez. Que ele se aposente pelo INSS ou pelo raio que o parta, mas como deputado é dar a ele um título que ele não deveria mais ter.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.

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