Saúde  

Epidemia da tristeza. Estamos cada vez mais deprimidos?

.

timthumA Organização Mundial de Saúde (OMS) relata que as taxas de suicídio aumentaram 60% em todo o mundo, nos últimos 50 anos. A expectativa é que, até 2020, nos países em desenvolvimento, a depressão será a segunda condição médica mais prevalente. Em 2011, os Centros de Controle de Doenças informaram que a taxa de uso de antidepressivos nos Estados Unidos aumentou 400% entre 1988 e 2008.

Leia mais: Depressão é a segunda causa mais comum de invalidez no mundo

Leia mais: No Brasl, taxa de suicídio cresce e continua tabu

Essas estatísticas podem simplesmente refletir mais disposição para rotular uma experiência como um sintoma ou uma doença. Por exemplo, até recentemente, a depressão como doença era praticamente desconhecida entre os japoneses, que compreendiam a fadiga intensa como sacrifício para o trabalho e o suicídio como um ato de vontade fundamentada.  O Japão tem uma das mais altas taxas de suicídio:  21 pessoas a cada 100.000, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A taxa americana é de é de 12 a cada 100.000, em  2013.

Em seu livro “A depressão no Japão”, o antropólogo Junko Kitanaka escreve que, em parte devido ao marketing farmacêutico agressivo, muitos japoneses começaram a pensar na fadiga e pensamentos suicidas como sintomas criados por uma doença. O número de pacientes diagnosticados com depressão no país mais que dobrou entre 1999 e 2008.

No entanto, há razões para acreditar que a doença mental está, de fato, aumentando em todo o mundo, mesmo porque a urbanização é crescente. Em 2010, pela primeira vez na história, mais da metade da população mundial vivia em cidades.

A vida na cidade cria maior propensão à depressão, esquizofrenia e o uso de álcool e drogas. A pobreza e a rápida urbanização aguçam estes efeitos. A tecnologia também pode ajudar nesta situação. Os autores de um estudo da Universidade de Michigan especulam que o que impulsiona o uso cada vez mais constante das redes sociais é a comparação social. Alguém posta fotografias lisonjeiras e comentários engraçados, enquanto a sua própria vida parece tão maçante.

Sherry Turkle, professor do MIT  e autor do livro “Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other” chama esse fenômeno de “a pressão da performance”. Sabemos que a posição social afeta tanto como e quando você morrer e como quão doente você fica. Quanto mais alta sua posição social, maior a probabilidade de você estar saudável. Acontece que o seu senso de posição social é relativo. Muitas vezes é você mesmo que desenha uma escada para mostrar onde você está em relação aos outros. Isso pode gerar muitos problemas de saúde, entre eles a depressão, que está muito pouco ligado ao seu status social econômico sozinho.

O que realmente explodiu na Índia ao longo das últimas décadas, mas também no resto do mundo, é a informação sobre outras pessoas. Enquanto assistimos televisão, navegar na Internet e acompanhamos os acontecimentos ao redor do mundo, tornamo-nos intimamente consciente de outras formas de viver e de outros que são mais ricos, mais fortes, mais poderoso do que nós mesmos. Colocamo-nos em uma grande ordem social em que a maioria de nós são formigas. Pode realmente ser um reflexo deprimente.

Deixe um comentário

2 comentários para “Epidemia da tristeza. Estamos cada vez mais deprimidos?”

  1. ⇒ Souza disse:

    É lamentável que vivemos em um mundo que se tem mais dores, tristezas, perdas, doenças,violência, desigualdades, injustiças, opressão, um lugar onde o mal sempre prevalece, onde o dinheiro vale mais que caráter, só trabalho, só trabalho e não há tempo para aproveitar um pouco das coisas boas que se ainda pode fazer, são tantas coisas ruins que faz com que as coisas boas sejam jogada por água abaixo.
    Não sou contra o suicídio, a não ser no caso que a pessoa colocou filhos no mundo para depois deixar eles jogados para o mundo.
    Não sou contra o suicídio por vários motivos.
    1° Ninguém apontou uma arma na cabeça de seus pais ameaçando e exigindo para poder nascer como se fosse um assalto.
    2° Todos vamos morrer um dia, então suicídio só é uma abreviação de algo que vai acontecer queira ou não.
    3° As pessoas ainda não aprenderam que muitos casos de suicídios são por causa de genética e factores de opressão e que se acabam os extintos de sobrevivência por parte da pessoa.
    4° A sociedade parece querer a obrigar as pessoas a viverem como que se a pessoa nascesse com uma divida, como se essa pessoa tivesse que ser sujeita a vontade da sociedade.