Entrevista de Gabrielli reforça abertura de CPI da Petrobras

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Uma entrevista concedida pelo ex-presidente da Petrobras José Sérgio ao Estado de S. Paulo reforça os argumentos a favor da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso que investigue os negócios da maior estatal do país.

timthuNa entrevista, publicada no ultimo domingo, 20, Gabrielli assumiu sua parcela de culpa na compra de Passadena, mas afirmou também que a presidente Dilma Rousseff não pode fugir de sua responsabilidade. A compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, foi um negócio iniciado em 2006, quando Dilma era ministra da Casa Civil e presidente do Conselho da Petrobras, e concluído em 2012 com a derrota da estatal para sua ex-sócia, a empresa belga Astra Oil, em um tribunal americano. A compra custou US$1,2 bilhão  a Petrobras.

“A CPI não é uma demanda das oposições, como querem fazer crer alguns governistas, mas sim da sociedade brasileira”, afirmou no domingo, 20, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, comentando a entrevista de Gabrielli.

No Palácio do Planalto, a fala do ex-presidente da estatal foi interpretada como uma linha de defesa para desviar o foco da investigação sobre Gabrielli, que também pode ser chamado para depor.

A ministra do Supremo Tribunal Federal deve decidir nesta terça-feira, 22, se o Congresso deve instalar uma CPI restrita à estatal ou ampliada, para investigar também o cartel dos trens em São Paulo e no DF e obras no Porto doe Suape, em Pernambuco.

Leia abaixo trechos da entrevista de Gabrielli ao Estadão:

O senhor se considera responsável pelo relatório entregue ao conselho administrativo da Petrobrás antes da compra da refinaria de Pasadena?

Eu sou responsável. Eu era o presidente da empresa. Não posso fugir da minha responsabilidade, do mesmo jeito que a presidente Dilma não pode fugir da responsabilidade dela, que era presidente do conselho. Nós somos responsáveis pelas nossas decisões. Mas é legítimo que ela tenha dúvidas.

O relatório é falho e omisso como disse a presidente Dilma?

Acho que não (foi falho). Ele foi omisso. Sem dúvida nenhuma foi omisso porque as duas cláusulas mencionadas (Put Option, que obrigou a Petrobrás a comprar a outra metade da refinaria, e Marlim, que compensaria a então sócia Astra por possíveis prejuízos) não constavam da apresentação feita aos conselheiros.

O conselho teve acesso à totalidade dos documentos antes de aprovar a compra da refinaria?

Não teve acesso a essas cláusulas. Mas isso não é relevante, a meu ver, para a decisão do conselho. O que é relevante é se o projeto é aderente tecnologicamente e estrategicamente ao que você faz e ter dado rentabilidade com os pressupostos daquele momento. Essas três condições fariam a decisão do negócio.

Se o Conselho de Administração da estatal soubesse dessas cláusulas no primeiro momento teria aprovado a compra da refinaria?

Eu acho que teria aprovado porque o objetivo naquele primeiro momento era a possibilidade de ter um negócio nos Estados Unidos em uma refinaria que tinha preços adequados ao mercado. E poderia ser uma entrada forte nossa nos Estados Unidos, o mercado que mais crescia no mundo na época. Continuo achando que foi um bom negócio para a conjuntura de 2006, um mau negócio para a conjuntura de 2008 a 2011 e voltou a ser bom em 2013 e 2014.

 

Fontes: Estadão – Para oposição, entrevista de Gabrielli que responsabiliza Dilma reforça CPI.
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