Entre denúncias de corrupção, Petrobras diminui investimentos

.
Dyelle Menezes- Contas Abertas
.

CPI - Petrobras - 2014 - CPIPETROA maior estatal brasileira, que ganhou as manchetes com denúncias de corrupção, reduziu o nível de investimentos em 2014. Nos oito primeiros meses deste ano, R$ 52,1 bilhões foram aplicados pela Petrobras, valor R$ 10 bilhões inferior ao destinado às obras e compra de equipamentos no mesmo período do ano passado. Em valores constantes, R$ 62,1 bilhões haviam sido investidos pela empresa em 2013.

O levantamento do Contas Abertas foi realizado com base na portaria nº 21, de 29 de setembro de 2014, publicada no Diário Oficial da União. Os valores foram atualizados pelo IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas. Os dados são do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, do Ministério do Planejamento.

Ao todo, desde o começo do ano, a Petrobras já previa investimentos menores. Para 2014, R$ 84,5 bilhões foram orçados para obras e compra de equipamentos, contra os R$ 94,9 bilhões do ano passado. A execução, no entanto, também caiu de 65,4% para 61,7% nos oito primeiros meses do ano.

De acordo com a Petrobras, a realização dos investimentos em 2014 vem refletindo adequadamente o grau de maturidade dos projetos e o andamento das obras dentro do previsto no Plano de Negócios e Gestão 2014-2018.

“É fato que o ano de 2013 se caracterizou pela finalização de obras de grande vulto, como plataformas de produção de petróleo e obras de tratamento e qualidade de derivados nas refinarias, além de importante avanço físico da Refinaria Abreu e Lima, ora em fase de conclusão, o que justifica o menor dispêndio em 2014”.

Para o economista da Universidade de Brasília, José-Matias Pereira, apesar de ser prematuro apontar a diminuição de investimentos relacionada à crise, está claro que isso prejudica o desempenho da empresa em vários níveis.

“É muito complexo que uma gestão de empresa do tamanho da Petrobras esteja sob suspeição. O que fica em evidência é que a estatal está submetida à interesses escusos e que existe uma quadrilha operando dentro da empresa, o que prejudica desde a imagem da empresa até a capacidade de investir”, explica.

Pereira destacou que o endividamento da empresa também pode ter diminuído a capacidade de efetivar o programa de investimentos. “O nível de endividamento da Petrobras é assustador. A atual gestão conseguiu tirar a empresa do nível de melhores para as mais endividadas do mundo”, afirma. Para o economista, isso é extremamente grave, pois a empresa é patrimônio do país e está no mercado, ou seja, é acompanhada diariamente por analistas de todo o mundo.

“A situação é constrangedora. O nível de credibilidade é muito baixo e o mercado não tem convicção ou certeza para apostar as fichas na Petrobras”, ressalta.

Segundo o economista José Roberto Afonso, no estudo “Tributação versus Subsídios: o Caso Petrobras”, os atos e as estatísticas sinalizam que a Petrobras perdeu autonomia operacional e se transformou em instrumento de governo, mas o problema maior é ser convocada para objetivos contraditórios. “Se para o curto prazo, precisa contribuir ao controle da inflação com reajuste de preços de derivados inferiores ao exigido por seus custos, no longo prazo precisa investir cada vez mais para explorar as riquezas do Pré-sal”, explica.

O resultado inevitável, de acordo com o economista, é o já conhecido endividamento crescente da empresa, mas também a deterioração das necessidades de financiamento, com déficit primário e nominal, bem assim o recolhimento de tributos decrescente em proporção do PIB.

Desde março, quando foi deflagrada a Operação Lava-Jato, vieram à tona as relações entre o doleiro Alberto Youssef e o ex- diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Os dois foram presos na investigação sobre o esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. A suspeita é de que a organização criminosa tenha atuado no seio da estatal. Os fatos levaram à criação de duas Comissões Parlamentares de Investigação no Congresso Nacional.

As investigações envolvem a compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras, que teria causado à estatal perdas superiores a US$ 1 bilhão, suposto superfaturamento envolvendo refinarias da estatal, irregularidades em plataformas. Além disso, as comissões investigam suspeita de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina a funcionários da estatal e construção do Porto de Suape, em Pernambuco.

– See more at: http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/9756#sthash.s8e9YQ9o.dpuf

Deixe um comentário