Enquanto eles debatem…

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Por Claudio Schamis
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dilmalula2Então já aconteceram dois debates, um na emissora Band e outro no SBT, quase no horário da novela Malhação, da Globo. Não que eu assista, mas isso lá é horário para debater?

Até parece que o horário escolhido foi feito sob medida para que quase ninguém assistisse a mais um Show dos Horrores. Tanto é que a Globo bateu 16,5 pontos com (outra) Malhação – pois nos debates só tem malhação e lavagem de roupa suja na maior parte do tempo – contra apenas 5,3 pontos no SBT. Até a Record, com o seu Cidade Alerta, ganhou de todos os presidenciáveis. Corta pra mim!

Mas, depois, soube que foi mais uma vez um debate de ataques, aliás, bem típico em quase toda eleição. Só que eu sempre tenho a esperança de que eles inovem e debatam de verdade o que cada um quer fazer com o nosso país, por mais que desconfiemos de alguns. Né Dilma? Né Marina? Para o Pastor Everaldo “Viva O Brasil, Viva A Democracia” nem adianta perguntar, pois quem é ele mesmo? E a perder tempo perguntando também para o Levy, para a Luciana e para o Eduardo, melhor ler um livro.

Por falar em ler livro, a Casa Civil já está de posse dos dados repassados pelo governo federal, leia-se Dilma Rousseff, com os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), mas que por motivos óbvios ainda não se tornaram públicos. E não é porque ainda não deu tempo de divulgar. Isso já tem 15 dias. É porque não interessa mesmo divulgar um fracasso. Se fosse algo bom no mesmo dia, tenho certeza, a Dilma apareceria na televisão cuspindo o resultado na cara de todos nós que criticamos a Educação no seu governo. O Ideb, para quem não sabe, é o principal indicador da qualidade do ensino no país.

E dessa vez os admiradores e defensores da Dilma, Corja & Cia não podem nem acusar a imprensa, a oposição e a quem quer que seja de tentar sujar a administração da presidente Dilma. É ela própria quem está cultivando essa dúvida, que para mim é uma certeza. O desempenho foi pífio.

Enquanto eles debatem – Parte II, inciso qualquer, parágrafo único.

Marina agora retira o apoio ao casamento civil gay. E isso me assusta. Será ela bipolar? Será que ela não pode fazer isso se eleita durante os 4 anos de seu governo?

Marina quer também elevar o limite de renda do Bolsa Família. Com isso ela incluiria mais 10 milhões de famílias no programa. Até aí tudo bem. Legal. Mas a que custo? De onde vai sair a grana para bancar esses R$ 19 bilhões a mais que seriam incorporados aos já R$ 25,2 bilhões?

Ao mesmo tempo, Marina já fala em aumentar a luz e a gasolina, mas não falou em aumentar a qualidade dos serviços públicos.

E a Saúde? E a Educação? Marina, para quem não lembra, votou pela volta da CPMF para bancar melhorias na Saúde. Mas e os anos em que fomos obrigados a pagar o imposto mascarado pelo nome de contribuição? Se é contribuição, contribui quem quer. Eu nunca quis. Até nisso o governo é covarde.

Enquanto eles debatem – Parte III, sem inciso e com vergonha de tudo!

O novo ministro Francisco Falcão, que assumiu na última segunda-feira, 1, a presidência do Superior Tribunal de Justiça, já quer alçar voo de falcão e prometeu lutar por um lugar ao sol, ou melhor, por um aumento nos salários dos juízes.

Até aí tudo bem. Todos merecem repor as perdas salariais e coisa e tal, mas como disse o ex-presidente Lula em uma ocasião em que ele era o presidente, que era hora do trabalhador se sacrificar pelo país e não entrar em greve por um aumento de salário, pois não era a hora. Logo ele, que foi um líder sindical e que convocou muitas greves impondo aumentos salariais.

Não seria o mesmo momento dos juízes se sacrificarem um pouco pelo país e pelo momento não propício de qualquer aumento, já que estamos passando por uma quase recessão que todos tentam maquiar como um momento passageiro?

Tudo bem que os processos aumentaram, o trabalho aumentou, mas isso não faz parte? Então, que eles mantenham os salários atuais e que se contratem mais juízes. Ou isso é justificativa pela morosidade da nossa Justiça? Será por isso então que um inventário possa levar 10 anos para ser concluído, quando só há um bem, no caso um carro e dois irmãos amigos onde o juiz pede há quatro anos a mesma coisa que já foi provado nem existe mais? É disso que estamos falando?

Será que esse Francisco pensa igual ao deputado Abelardo Camarinha (PSB – SP), que disse em 2011 que desafia quem conseguisse viver com um salário de R$ 12 mil? Ou como pensa também o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), que disse em 2012 que o salário de R$ 19 mil (líquidos) é digno de pena?

É isso que temos para o jantar hoje e sem direito a sobremesa, pois o orçamento não permitiu comprar.

Seria tão bom que o trabalhador assalariado lembrasse disso sempre antes de votar. E quanto ao ministro Francisco Falcão vamos deixar ele lutando, pois pedir não tira pedaço. Só peço que respondam ao senhor ministro com toda a vênia: Não.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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