Eike Batista sabia da inviabilidade de campos da OGX, mas ocultou a informação

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Uma investigação feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelou que o empresário Eike Batista e os administradores da OGX tinham pleno conhecimento da inviabilidade comercial dos campos da empresa 10 meses antes da petroleira assumir essa condição e, posteriormente, pedir recuperação judicial. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 11, no jornal Valor, que teve acesso aos documentos da investigação.

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Segundo um relatório de acusação elaborado pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da CVM, os administradores não divulgaram as informações sobre os campos. Eike chegou a negociar as ações da OGX e da OSX sabendo da perspectiva negativa de ambas. Ao mesmo tempo, o empresário, agindo de má-fé, postou declarações otimistas sobre as ações das empresas no Twitter.

Segundo o relatório da CVM, de 2009 a 2011, a OGX fez uma série de divulgações sobre os campos da empresa, sempre com perspectivas positivas. Porém, ainda em 2011, a OGX contratou a empresa de consultoria Schlumberger Serviços de Petróleo para realizar um estudo sobre o volume total de óleo nos campos. O estudo constatou que a exploração dos campos seria mais complicada do que o imaginado inicialmente. Em todos os cenários, o Volume Presente Líquido (VPL) para o projeto era negativo.

De acordo com o relatório da CVM, em março de 2013, a OGX divulgou apenas informações sobre o volume total dos campos, sem mencionar o volume recuperável nem o valor líquido negativo do projeto, que já mostrava a inviabilidade comercial dos campos.

Segundo a CVM, mesmo que a OGX alegue que as informações eram apenas parte de um estudo, os resultados apresentados pela Schlumberger mudavam radicalmente o cenário apresentado no mercado e deveriam ter sido divulgados.

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