Eduardo Cunha incarna Nelson Rodrigues: ‘Pior para os fatos’

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Parlamentar insiste que ‘desconhece o teor dos fatos veiculados’ sobre suas contas na Suíça, mesmo depois dos fatos provarem o contrário

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, afirma desconhecer o teor da investigação sobre contas na Suíça (Foto: Agência Brasil)

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, afirma desconhecer o teor da investigação sobre contas na Suíça (Foto: Agência Brasil)

O Ministério Público da Suíça desmentiu o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em um comunicado oficial entregue ao jornal Estado de S. Paulo. Cunha, o terceiro na linha da sucessão presidencial, diz que desconhece o teor das notícias sobre suas contas secretas na Suíça. Segundo a Procuradoria-Geral daquele país, no entanto, “Cunha foi informado sobre o congelamento de seus ativos há um bom tempo”.

Cunha tem obrigação de prestar contas à população brasileira, mas o deputado insiste em manter uma postura arrogante. Ao afirmar que “desconhece os fatos” e se esquivar das perguntas dos jornalistas, o deputado incarna a frase genial do escritor Nelson Rodrigues: “Se os fatos provarem o contrário, pior para os fatos”. Uma atitude mais nobre seria se afastar do cargo para esclarecer as suspeitas. Na semana passada, procuradores da Suíça enviaram ao Brasil registros de quatro contas bancárias atribuídas a Cunha e seus familiares no país. O dinheiro foi bloqueado.

Cunha é investigado pelo MP suíço por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro desde abril. Como é usual nos paraísos fiscais, as contas não estão no nome de Cunha, mas empresas offshore aparecem como titulares. No entanto, os suíços descobriram que Cunha e seus familiares estão entre os beneficiários do dinheiro de pelo menos uma das contas.

A investigação na suíça informou aos procuradores brasileiros que Cunha abriu empresas de fachada para esconder seu nome nos registros bancários. Após a divulgação, na semana passada, de que a Suíça havia transferido a investigação para o Brasil, Cunha disse que não sabia “de absolutamente nada” a respeito das contas. Em comunicado na sexta-feira passada, o deputado rechaçou a existência de empresas de fachada e disse “desconhecer o teor dos fatos veiculados”.

Questionado novamente nesta terça-feira, 6, sobre o assunto, Cunha afirmou que não iria comentar: “Não vou falar sobre isso”, disse a uma repórter da Globo News antes de se afastar dos jornalistas.

Segundo o MP da Suíça, o próprio banco suíço fez o primeiro contato com Cunha sobre o congelamento dos ativos. Cunha também foi informado pela Justiça suíça sobre os motivos do congelamento.

Desde o início da Operação Lava Jato,  três delatores já acusaram Cunha de ser um dos beneficiários do dinheiro de propina desviado da Petrobras.

Manter dinheiro no exterior não é crime, mas a lei exige que o correntista declare a existência delas à Receita Federal e ao Banco Central.

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