Economistas apostam em dólar a R$ 1,90 até o fim do ano

Fonte: monitorinvestimento.com.br

Economistas do mercado financeiro acreditam que o dólar poderá bater nos R$ 1,90 até o fim do ano, ganhando força em relação ao real, por conta da volatilidade com as incertezas das eleições presidenciais e um déficit maior na conta corrente, que inclui o comércio de bens e serviços. Se a China promover mais uma valorização yuan, no entanto, o real poderá voltar a se valorizar, segundo eles.

“A China poderá ter de promover uma nova rodada de valorização de sua moeda, não somente por causa da necessidade econômica, mas para evitar um conflito aberto com os Estados Unidos, que pressionam nesse sentido”, disse Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, durante evento da Emerging Markets Traders Association (EMTA), ontem, em São Paulo, no Itaú Cultural. “Se isso acontecer, teremos mais uma pernada de apreciação do real”, completou Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander. “Eu concordo”, afirmou Eduardo Loyo, do BTG Pactual.

O raciocínio passa pelos preços das commodities. Segundo Schwartsman, o yuan mais forte reduz o preço das commodities importadas pelos chineses, estimulando o consumo desses produtos por um dos maiores mercados de consumo mundial. Com a maior demanda, estimulada por um poder de compra mais elevado, os preços em dólares das commodities no mercado internacional se tornam maiores, ampliando os valores e volumes das exportações do Brasil.

“Há uma correlação direta entre os preços das commodities e a cotação do real”, explicou o economista-chefe do Santander. Ou seja, quando esses preços sobem, em dólar, o real tende a se valorizar também. “Isso poderia nos levar a uma revisão de nossa cotação para o final deste ano, que está em R$ 1,90” , disse. Segundo ele, uma valorização no yuan ajudaria a reduzir o nosso déficit em conta corrente, pois os produtos exportados pelo Brasil se tornariam mais competitivos em relação aos chineses e as importações da China ao Brasil, menos atrativas. Isso ajudaria na valorização do real.

Luis Fernando Figueiredo, da Mauá Investimentos, acredita que “o processo conspiratório a favor do real parece ter chegado ao fim” e que as cotações tendem mesmo a bater nos R$ 1,85 a R$ 1,90, uma vez que o déficit em conta corrente é maior – o que pode inibir ingressos crescentes de moeda estrangeira. Adauto Lima, economista-chefe da gestora de recursos Western, vê pouca volatilidade no câmbio, com cotações a R$ 1,80 no final de 2010.

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