Brasil  

‘Economist’ contesta Dilma: ‘impeachment não é golpe’

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dilmaA edição desta quinta-feira, 1º, da revista ‘Economist’ traz uma reportagem sobre as crises política e econômica do Brasil que começa com a seguinte analogia para explicar o caos que se instalou em Brasília: “Assim como os animais podem sentir o cheiro do medo nos seres humanos, os mercados financeiros atacam quando eles farejam paralisia ou divisão no governo.”

A revista lista as mazelas econômicas enfrentadas pelo governo —  a alta do dólar, a confusão do ajuste fiscal, o rebaixamento da nota de crédito do país pela agência de risco Standard & Poor´s – e os associa aos problemas políticos – a perda da influência da presidente no Congresso, sua queda de popularidade, a Lava Jato. “Uma coisa está alimentando a outra”, diz. Em português, o título da matéria, “Dilma in the vortex”, seria algo como “Dilma no olho do furacão”.

Em seguida, a ‘Economist’ trata da questão do estelionato eleitoral. Após inflar a dívida pública a 60% do PIB com uma política fiscal frouxa em seu primeiro mandato, Dilma decidiu mudar o rumo da economia em seu segundo mandato, nomeando “o falcão fiscal” Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, explica. Para a ‘Economist’, no entanto, Levy subestimou a gravidade da recessão na economia.  E, fatalmente, quando o ministro se deu conta de que não conseguiria estabilizar as contas públicas apenas aparando algumas despesas federais discricionais e abolindo isenções fiscais, ele afrouxou seus alvos ao invés de anunciar cortes de gastos mais duros.

De qualquer forma, reconhece a ‘Economist’, o ministro não merece toda a culpa, pois a presidente não apoiaria um ajuste mais duro. A revista descreve a presidente como “uma convertida relutante” da austeridade.

“Ao  invés de por ordem na casa, a prioridade de Dilma agora é sua própria sobrevivência, semana a semana”, diz a revista, lembrando que no final deste mês o Tribunal de Contas da União pode rejeitar suas contas públicas do ano passado e o tribunal eleitoral está investigando se sua campanha de reeleição em 2014 se beneficiou de doações ilegais.

É por tudo isso que, a cada dia, vozes se unem ao coro pedindo o impeachment da presidente. “Há um risco real de que nos próximos meses a presidente reconheça que já não pode mais governar”, diz a ‘Economist’.

“Dilma afirma que seu impeachment seria um ‘golpe’. Isso é falso”, diz a revista. “No mínimo, seria um reconhecimento de que ela ganhou um segundo mandato com a falsa promessa de manter os gastos sociais”. A ‘Economist’ acrescenta, no entanto, que sem claras evidências de má conduta um impeachment seria uma medida profundamente divisora para o país.

“Dilma diz que, como ex-guerrilheira que sobreviveu a tortura, ela nunca irá ceder à pressão para renunciar. Mas se a crise econômica piorar, ela pode se ver em uma posição insustentável”. A revista cita uma recente pesquisa com 20 mil entrevistados, dos quais 64% achavam que Dilma não completa seu mandato. “Está começando a parecer que eles podem estar certos”, conclui a revista.

 

Fonte: Opinião&Notícia

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