Economia brasileira não alçará grandes voos

Enquanto o crescimento da economia da China segue o padrão de um condor, subindo a grandes alturas, mesmo quando ele passa por aquilo que é considerado uma desaceleração, a economia do Brasil, nos últimos anos, tem se assemelhado ao voo de meia altura de uma galinha. Sempre que a economia do Brasil parece estar prestes a decolar, ela volta a cair novamente, já que o superaquecimento força o Banco Central a pisar nos freios.

Os números do PIB de 2011 são um bom exemplo. No final de 2010, a economia do Brasil estava crescendo a 7,5%. O crescimento foi impulsionado pelas medidas governamentais de estímulo tomadas em 2009 para combater a recessão da crise financeira global. Essas medidas foram seguidas por momentos de generosidade política em 2010, um ano de eleição presidencial.

Mas com o crescimento veio a inflação. O Banco Central foi forçado a aumentar as taxas rapidamente apenas para descobrir no meio do ano que a economia, que parecia tão forte apenas seis meses antes, estava estagnando. A parada abrupta do crescimento foi resultado de uma mistura de altas taxas de juros, uma taxa de câmbio forte em relação ao dólar, que estava matando a indústria local, incentivando as importações baratas, e sentimentos negativos sobre a crise da zona do euro.

A galinha, que começara a adquirir confiança suficiente para voar em 2010, despencou no terceiro trimestre de 2011, quando a economia se contraiu um pouco. Essa foi a explicação da Goldman Sachs:

O desempenho da economia foi decepcionante em 2011, o que em parte reflete a ressaca da demanda excessivamente estimulada ao longo de 2010, e o aumento no retardo das exportações líquidas, já que o crescimento das importações foi ainda estimulado pela sólida demanda final e pelo crescente desalinhamento do real (supervalorização) em termos reais.

Então, como a galinha voará este ano? E será que essa galinha nunca será capaz de voar, pelo menos, tão bem quanto um falcão, mantendo um constante ritmo de crescimento (ainda que não tão grande quanto o da China)? Se a Goldman estiver certa, este ano não trará a forte recuperação que o governo de Dilma Rousseff e o PT tanto buscam, não importa o quanto eles estejam relutantes em perder o seu lugar entre as economias de alto crescimento. A Goldman prevê:

No lado positivo, a demanda doméstica, que tinha se contraído durante o terceiro trimestre de 2011, se recuperou no quarto trimestre, e deve continuar firme ao longo de 2012, apoiada na intensificação da política de estímulos (de crédito, fiscais, monetários, e uma reversão de algumas medidas macro prudenciais), o crescimento salarial mínimo de dois dígitos, fluxos de capital de aceleração, os preços mais firmes de commodities e o sentimento global de melhoria. No entanto, a pequena transferência estatística para o crescimento em 2012 (apenas 0,3 por cento após todas as revisões atrasadas e de crescimento mais fraco no quarto trimestre em comparação com a nossa previsão) reduz automaticamente a nossa previsão de crescimento real do PIB em 2012 de 3,5 para 3,1%.

Quanto à dúvida se a galinha algum dia se transformará em um falcão, ou um condor, a resposta é não — pelo menos não neste momento. Ineficiências do Brasil, tais como o inchado orçamento do governo que, apesar de todos os seus gastos, ainda deixa de investir, vão manter o país abaixo dos principais índices de crescimento até que alguém comece a pensar em reformas.

Em resumo, a burocracia e os impostos vão garantir que as asas do frango permaneçam cortadas.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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