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Duque responde a quatro perguntas na CPI

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Do Congresso em Foco
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Renato-Duque-CPI_PqnEm quatro horas de depoimento à CPI da Petrobras, o ex-diretor da estatal Renato Duque respondeu a apenas quatro perguntas. Ele negou conhecer o doleiro Alberto Yousseff; negou que sua esposa conhecesse o ex-presidente Lula e admitiu que seu filho trabalhou em uma empresa contratada pela Petrobras. Mas o ex-diretor negou que essa companhia tivesse qualquer relação com a UTC, uma das firmas citadas no esquema de cartel da estatal.

A princípio Duque disse que permaneceria calado durante toda a sessão da CPI. Somente para o relator da comissão parlamentar, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), Renato Duque falou 19 vezes que “permaneceria calado”.  Mas com o transcorrer da sessão, Duque resolveu pronunciar-se quando os parlamentares perguntaram sobre membros de sua família e a relação deles com o esquema de corrupção da Petrobras.

Primeiramente ele disse que sua esposa não conhecia o ex-presidente Lula, nem o tesoureiro do Instituto Lula Paulo Okamotto quando foi questionado pelo deputado Deputado Izalci (PSDB-DF). “Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula, nem com Okamotto. Não conhece e nunca conheceu”, disse Duque. O questionamento tinha como base informações do blog de Felipe Moura Brasil, segundo o qual a esposa de Duque teria procurado Lula e Okamotto e ameaçado delatar o envolvimento do ex-presidente na corrupção da Petrobras se Duque não fosse libertado.

Depois, quando questionado por parlamentares se ele conhecia Youssef, Duque limitou-se a dizer que não mantinha contato com o doleiro. O ex-diretor da Petrobras também admitiu conhecer o antigo hotel Meridien, no Rio, ao responder pergunta do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). O hotel foi apontado pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco como local de encontro entre participantes do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

Já no final da sessão, o ex-diretor respondeu a um quarto questionamento da deputada Eliziane Gama (PPS-MA). Ele admitiu que seu filho trabalhou em uma empresa contratada pela Petrobras, a Technip, fabricante de tubos flexíveis para a exploração de petróleo em águas profundas. “Vou contrariar a orientação do meu advogado e responder essa pergunta. Meu filho trabalhou na Technip nos Estados Unidos, mas a Technip não tem nenhuma relação com a UTC”, disse, em referência a uma das empresas acusadas de pagar propina a funcionários da Petrobras por conta de contratos firmados com a estatal.

Duque disse que o filho dele foi contratado como head hunter da Technip. “Quando ele recebeu o convite eu fiz uma consulta formal à Petrobras para saber se havia algum impedimento e a resposta da companhia foi de que não havia nenhum problema”, disse. Ao final da sessão, Duque declarou que era inocente de todas as acusações. “Eu me recusei a responder as perguntas da CPI por orientação da minha defesa e isso não significa que eu seja culpado. Eu vou provar que meus bens não são produto de corrupção. Tenho orgulho de ter trabalhado na Petrobras e lamento o que está acontecendo na companhia”, disse.

 

Acusações

O ex-diretor da Petrobras foi mencionado como destinatário do pagamento de propinas por pelo menos cinco delatores da Operação Lava Jato: o ex-gerente de Tecnologia da estatal Pedro Barusco, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e os empresários Júlio Camargo e Augusto Mendonça Neto. Ele nega as acusações.

Barusco, em depoimento à CPI, disse, por exemplo, que começou a dividir propinas com Renato Duque em 2007, quando a Petrobras fez um contrato com a empresa holandesa SBM para o fornecimento de um navio-plataforma chamado P57, no valor de R$ 1,25 bilhão. Barusco era então gerente-executivo de Engenharia e recebeu 1% do total entre 2007 e 2010. Segundo ele, a propina paga pelas empresas contratadas pela Petrobras era dividida da seguinte maneira: metade ia para ele e Renato Duque e a outra metade ia para João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

O ex-diretor também disse que parte da propina foi usada nas eleições de 2010, quando Renato Duque (então diretor de Serviços da Petrobras, ao qual Barusco era subordinado) pediu ao empresário Júlio Faerman, representante da SBM, US$ 300 mil como “reforço” de campanha eleitoral, “provavelmente” a pedido de João Vaccari Neto, quantia que teria sido “contabilizada” por ele como “pagamento destinado ao PT”. Vaccari também nega as acusações.

Com informações da Agência Brasil

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