Dosimetria: quem dá mais?

Por Claudio Schamis – opiniaenoticia.com.br

Agora que as batatas já assaram, resta saber por quanto tempo terão que ficar em banho-maria. Isso é fundamental para que a batata fique no ponto e para que outras batatas podres não surjam. Vai começar a dosimetria das penas. Sem pena, por favor, ministros.

Não poderia estar mais radiante. E sem essa que felicidade de pobre dura pouco. Pode até durar, mas será eternamente grata. A felicidade de grande parte da população é real e notória.

Parabéns aos ministros, que viram o que Lewandowski não viu e o que Dias Toffoli já sabia que não veria de qualquer maneira. Até porque, como ele ia justificar em casa que condenou um amigo e o ex-chefe? Isso é amor antigo. Justiça? Não nesse caso. Cármen Lúcia e Rosa Weber também não viram, mas paciência. Vencemos.

Ainda me causa estranheza que quatro ministros tenham uma visão tão distorcida, uma interpretação do fato tão distante da grande maioria. Mas a acuidade visual da maioria prevaleceu.

Confesso que fiquei tenso quando o placar estava adverso, mas, numa virada linda, a justiça foi feita. Agora é calcular a pena, jogá-los na cadeia e perder a chave. A política não ficará empobrecida, órfã e nem estará perdendo grandes cabeças pensantes. Eles podem até ter feito algo bom no passado, mas não se está julgando a história deles, e sim atos falhos que foram como se estivessem cuspindo na nossa cara. Infelizmente, tem gente que nem se importa e acha normal uma cusparada na cara. E tem gente que até gosta. Tudo pela amizade. Tudo pelo social.

Lavamos a cara e a alma.

 

Enquanto isso, em algum lugar do Brasil…

O verdadeiro chefe de toda essa mancha parece não estar muito preocupado com isso e continua viajando pelo país em campanha para ajudar o PT a conquistar mais alguma coisa.

Deveria ser proibido que ex-funcionários políticos circulassem livremente em palanques. Acabou o mandato, acabou o reinado. Já pensou se a moda pega e todo ex-funcionário resolver voltar na sua empresa e participar de alguma atividade?

Isso posto, fica cristalino que o que Lula fala não se escreve. Assim que ele passou o bastão para sua pupila Dilma – e isso eu já disse semana passada, mas é bom lembrar – ele disse que ia descansar, pescar, beber e ficar de pijama.

Mas Lula é isso mesmo. Um mentiroso de marca maior. Que venham os ataques dessa gente que acha, como a ministra Marta, que ele um deus. Estou preparado. Só não bate muito forte.

 

Depois da tempestade…

 

Não tem nada de bonança. Agora que a ficha deve ter caído como um meteoro, José Dirceu, que nasceu em Passa-Quatro e que deve ter adotado como lema de vida política “onde passam quatro passam mais”, principalmente, está posando de pobre, injustiçado, bom moço, homem íntegro (para seus amigos, é claro). Chego a ficar com os olhos marejados só de imaginar a dor de ser desmascarado diante de um Brasil que talvez não tivesse noção do que esse homem é capaz. Só que são lágrimas de crocodilo. Afirmo e assumo. As verdadeiras lágrimas são pela Justiça feita e pelo julgamento do mensalão que talvez tenha mudado a história deste país para sempre.

E ainda assim…

O “engraçado” é que ainda tem gente que defende José Dirceu. Eu diria que é triste. Mas esses devem ser verdadeiros amigos, que já articulam uma reação política. E dizem que, caso Zé Dirceu seja preso, petistas irão se declarar prisioneiros do que consideram um “julgamento de exceção”. Isso dá até samba enredo.

Amigos esses que são capazes de colocar – pelo menos foram somente dois – outdoors protestando contra a sua condenação e se dizendo solidários. O amor é lindo. Mas se a moda pega vai emporcalhar mais anda a cidade.

Amizade assim é bonita de se ver. Amizade assim não se compra. Ou será que rolou um mensalãozinho por ela?

Duelo de frases! Pura democracia.

Enquanto o ministro Celso de Mello diz que isso é uma “sociedade de delinquentes” e que este processo revela um dos episódios mais vergonhosos da história política do país, José Dirceu, o bom moço, afirma que nunca fez parte nem chefiou quadrilha.

Por outro lado, o ex-ministro Paulo Vannuchi diz – diria eu até poeticamente – “Vai ser a razão de viver de Genoino e Dirceu demonstrar que foram condenados sem provas”. Sniff, sniff. Desculpem, não aguentei de emoção. Poesia pura.

Na verdade esse julgamento foi marcado por dezenas de outras frases e “duelos” que ficarão gravados na história deste país como o verdadeiro exemplo da democracia.

Essa sim é a verdadeira democracia, com liberdade de expressão e pensamento expostos para quem quiser ver e ouvir. Isso ninguém tira da gente.

Não desejo mal a ninguém!

Não desejo mesmo, mas gostaria, sim, de ver José Dirceu atrás das grades por muitos anos. E, claro, não gostaria nem um pouco de que ele vire articulista como já foi – ou ainda é – de um jornal, ganhando R$ 40 mil por mês. Só falta agora choverem propostas de tabloides querendo a opinião dele para alguma coisa e propondo mundos e fundos. Mas será que da cadeia ele terá esse privilégio? Ar condicionado, frigobar, celular, tablet, computador. É a cara dele exigir isso, se achando um homem diferente e de foro privilegiado.

E que não me apareça ninguém querendo comprar os direitos autorais para produzir um filme: “José Dirceu: sua vida, sua obra”. E ainda ser custeado pela Lei Rouanet.

É só o que falta.

E a Dilma… Não fala nada?

Salvem as baleias. Não joguem lixo no chão. Não fumem em ambiente fechado.

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