Saúde  

Doenças cardíacas: a revanche da manteiga

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Aqueles que administram minuciosamente suas dietas em vez de seguir as razoáveis regras práticas de Michael Pollan (coma comida, não muito e priorize os vegetais) podem se sentir confusos com os resultados de um artigo que acaba de ser publicado no periódico Annals of Internal Medicine.

Ele descreve uma meta-análise (uma técnica que usa estudos como pontos de dados únicos para uma análise estatística) de 72 pesquisas que envolveram mais de 600 mil pessoas. Algumas delas coletaram dados sobre o que as pessoas comeram, ou disseram que comeram. Algumas mediram os níveis de diversos tipos de gordura que circulavam no sistema sanguíneo das pessoas. Algumas fizeram ambas as coisas. Todas tentaram observar relações entre níveis e tipos de gordura no sangue e a saúde cardíaca das pessoas. A meta-análise chegou a conclusões que soarão contra-intuitivas para muitos.

Apesar de encontrar alguma relação entre a gordura trans e problemas cardíacos, outras crenças sobre os males da gordura saturada frente à gordura insaturada, no entanto, não foram confirmadas.

Não foram encontradas, por exemplo, evidências de que ingerir gordura saturada ou ter altos níveis de ácidos graxos saturados (produto da digestão de tais gorduras) circulando no sangue tenha qualquer efeito relacionado a doenças cardíacas. Assim como não se verificou que ácidos graxos e ômega 3, os atuais queridinhos da alimentação saudável, protejam contra doenças cardíacas.

Ter uma dieta relativamente espartana, com ingredientes variados, aliada à prática de exercícios moderados ainda parece a maneira mais segura de garantir uma vida saudável. Chowdhury e seus colegas não estão sugerindo que a quantidade de gordura ingerida não impacta os riscos de infarto. O que a pesquisa deles sugere é que, salvo as gorduras trans, o tipo de gordura pode não fazer tanta diferença.

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