Brasil  

Dívidas dos clubes: federações e confederações também podem ser “perdoadas” em R$ 300 milhões

Dyelle Menezes
Do Contas Abertas

Além do “perdão” das dívidas dos clubes de futebol, o anteprojeto de lei “Proforte” também prevê a anistia a outras entidades administrativas de desporto. Segundo o texto do deputado federal Vicente Cândido (PT-SP, também entrariam na proposta entidades como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Confederação Brasileira de Clubes (CBC), Federação Nacional dos Clubes e demais entidades que viabilizem a prática desportiva. A dívida dessas confederações pode chegar ao valor de R$ 300 milhões.

Ao saber que o texto também previa o perdão para outras entidades, o deputado federal Romário (PSB-RJ), que já havia se posicionado contra a anistia dos clubes de futebol – mas considerou apoiar o projeto se algumas modificações fossem realizadas -, se colocou totalmente contra o texto. “Sou 100% contra o projeto que prevê o perdão da dívida dos clubes”, afirmou.

 A inclusão das modalidades chegou ainda a surpreender o Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte, Antônio José Carvalho do Nascimento Filho. Segundo Nascimento, a minuta que está sendo produzida pela Pasta e será encaminhada ao Ministério da Fazenda é voltada para os clubes de futebol porque possui a premissa da contrapartida, enquanto a CBF, por exemplo, não teria como incentivar de maneira direta a formação de atletas.

O deputado Vicente Cândido afirmou que colocou as entidades no projeto porque estas possuem trabalhos sociais de prática desportiva e passam por dificuldades financeiras. “No entanto, é preciso destacar que o texto ainda está em discussão e pode ter alterações conforme o andamento”, explicou.

Dirigentes de federações e confederações esportivas que estavam no evento defenderam a inclusão de suas entidades no perdão da dívida dos clubes de futebol e esportivos. “Não podemos admitir um projeto que visa fomentar o esporte olímpico pensar em deixar de fora as federações que, em muitos casos, são as únicas fomentadoras de algumas modalidades olímpicas na ponta”, afirmou João Tomazini, presidente da Confederação Brasileira de Canoagem.

“Nós também precisamos de ajuda para sanar as finanças e conseguir investir melhor no esporte olímpico, não podemos admitir a possibilidade de ficar de fora desse projeto”, disse Roberto Mello, presidente da Federação Gaúcha de Tênis.

As colocações aconteceram no Seminário “Gestão Financeira e Formação de Atletas nos Clubes de Futebol” proposto por Romário, na condição de presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

Romário diz que Marin não tem coragem de ir ao Congresso

O deputado federal Romário declarou no seminário que o presidente da CBF, José Maria Marin, não tem coragem de aparecer no Congresso. “A possibilidade do presidente da CBF aparecer aqui é muito difícil, ele não tem coragem. Como aconteceu hoje, ele sempre dará uma desculpa. Conhecendo quem ele é, não é nenhuma surpresa”, afirmou. Romário é grande opositor de Marin e um dos líderes da campanha para que o cartola deixe o Comitê Organizador Local e a Confederação Brasileira de Futebol.

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