Divergências com Sarney levam Mercadante a por cargo à disposição

Por Fábio Góis – congressoemfoco.com.br
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), anunciou há pouco que, se o bloco de apoio ao governo insistir em emplacar mais dois aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética – o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR) e Roberto Cavalcanti (PRB-PB) – colocará à disposição tanto o cargo na liderança da bancada quanto da base aliada.
“Eu me recuso a fazer esse tipo de coisa. Se quiserem fazer isso, que façam com outro líder. Eu coloco o cargo à disposição”, avisou Mercadante, que tem enfrentado desgaste junto ao Planalto ao conduzir a posição do partido em relação ao afastamento de Sarney da Presidência do Senado.
A troca seria operada porque dois dos integrantes petistas no Conselho de Ética – Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC) – se recusavam a votar contra o desengavetamento dos 11 pedidos de investigação contra Sarney. Ambos são candidatos: Ideli ao governo de Santa Catarina e Delcídio à reeleição no Senado; do ponto de vista eleitoral, votar pelo manutenção do arquivamento seria uma postura comprometedora, diante do desgaste de Sarney perante a opinião pública.
A solução seria indicar dois nomes que, alinhados a Sarney, reforçassem o apoio ao peemedebista no colegiado – caso de Jucá e Cavalcanti – e votassem pela manutenção dos arquivamentos. A manobra tem caráter preventivo: somados aos cinco nomes oposicionistas (três do DEM e dois do PSDB), três nomes do PT contra Sarney (o outro petista é o amazonense João Pedro, que é a favor das investigações) representaria derrota para o governo em um Conselho com 15 integrantes.

Em plenário, senadores petistas saíram em defesa de Mercadante. Eduardo Suplicy (SP) disse que a bancada mantém a posição sobre a situação de Sarney no comando da Casa, com pleno apoio ao senador petista.

Ao telefone com Mercadante, Paulo Paim (RS) dirigiu-se à Mesa e, sem desligar o aparelho, fez questão de reportar o apoio dos petistas ao líder. Disse que, em nenhum momento, qualquer senador do PT pressionou Mercadante para impor as trocas. Augusto Botelho (PT-RR) declarou que Mercadante mantém uma “postura muito firme, mantendo a ética em suas ações”.

“Disso e repito hoje que ele tem sido fiel, competente, ético em relação à posição da bancada”, declarou da tribuna Flávio Arns (PT-PR), que havia repetido o gesto de Paim ao telefone. “Se nós nos curvarmos diante de uma presssão, será um suicídio de um partido que não está em sintonia com a sociedade, na busca da ética”, completou o senador paranaense, repetindo o que havia dito mais cedo Pedro Simon (PMDB-RS).

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