Dilma: ‘Vamos continuar Lula, não repetir’

Por Rudolfo Lago – congressoemfoco.com.br

A candidata do PT à Presidência foi a primeira, entre os que tentam suceder o presidente Lula, a dar entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. Amanhã (10), a entrevistada será Marina Silva, do PV. Na entrevista, Dilma explicou como se dará, na sua avaliação, o projeto de continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

“Meu projeto é de continuidade ao presidente Lula, mas não é de simplesmente repetir”, disse ela. “Nós queremos fazer com que o país saia da condição de país emergente para a condição de país desenvolvido. É a hora e a vez do Brasil”, completou Dilma.

A disposição em abordar várias temas no curto espaço de tempo de um bloco do Jornal Nacional fez com que Dilma fosse muitas vezes interrompida pelos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes. Como já ocorrera no debate da Band na semana passada, foi uma demonstração de que a concisão nas respostas ainda é um problema para Dilma. A candidata, porém, soube sair-se bem dos questionamentos mais duros feitos por Bonner e Fátima.

A exceção foi quando ensaiou um bate-boca com Bonner a respeito de um discurso de Lula. Ele e Fátima Bernardes comentaram que o presidente, numa cerimônia, brincou que vários ministros e parlamentares já haviam se queixado com ele que Dilma os “maltratava”. Dilma resolveu desminti-los. “Ele não disse que maltratava, disse que eu era dura”, rebateu a candidata do PT. “Candidata, o vídeo é público, está disponível. Mas nós não temos que passar o resto da entrevista discutindo isso”.

No começo da entrevista, Bonner lembrou que a opção por Dilma como candidata foi uma escolha pessoal de Lula e que ela não teve antes qualquer outra experiência como candidata. “A senhora se considera preparada?”, perguntou o apresentador do Jornal Nacional. Dilma apresentou seu currículo de secretária de Estado no Rio Grande do Sul e ministra das Minas e Energia e da Casa Civil para falar de sua experiência. “Me considero preparada. Tenho experiência. Conheço o Brasil”, disse ela.

Em seguida, os apresentadores perguntaram se o fato de Lula aparecer sempre por trás dela não poderia passar ao eleitor a impressão de que ela, no exercício da Presidência, terá o atual presidente como tutor. Dilma deu uma boa resposta: “As pessoas têm que escolher o que acham de mim”, disse ela, referindo-se ao fato de que, em alguns momentos, é vista como uma pessoa dura e até pouco educada e em outras como alguém que precisa de tutor, o que indicaria fragilidade. “Não vejo problema nenhum na minha relação com Lula. Ele é um grande líder reconhecido no mundo inteiro”.

Sobre o temperamento difícil, Dilma disse que a experiência como ministra da Casa Civil a preparou para o diálogo. “Sou uma pessoa firme. Não vacilo”, avaliou-se.

Dilma ainda foi questionada pelo fato de o PT hoje ter como aliados pessoas que criticou durante toda a sua vida antes de ser governo: Fernando Collor, José Sarney, Jader Barbalho. “O PT acertou quando viu que para governar um país com a complexidade do nosso tem que fazer alianças. O governo Lula tinha uma diretriz: focar a questão social. Quem nos apoia aceitando os nossos problemas, a gente aceita do nosso lado”, disse ela. Dilma, porém, reconheceu que o PT mudou com a experiência de ser governo.

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