Dilma terceiriza a presidência

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timthumb.phpEnquanto o Congresso discute a regularização do trabalho terceirizado no Brasil, Dilma vem terceirizando tarefas consideradas pilares do executivo em qualquer democracia.

A responsabilidade pela coordenação política entre o Planalto e o Congresso está a cargo do PMDB, sob o comando do vice-presidente, Michel Temer. Antes disso, Dilma já havia terceirizado a economia ao ministro Joaquim Levy.

“A presidente abriu mão de governar, é preciso que alguém lhe avise que, constitucionalmente, ela ainda está na chefia do governo”, afirmou o líder do Democratas na Câmara, o deputado Mendonça Filho (PE). “A pilota sumiu! Está tudo terceirizado”.

Para o colunista da Veja Reinaldo Azevedo, com a ida de Temer para a coordenação política, realizou-se, em parte, o impeachment da presidente, já que Temer é o primeiro na linha sucessória caso ela seja impedida e agora passa a coordenar uma das tarefas mais fundamentais da presidência.

O poder do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também reforça a tese da terceirização irrestrita. O falcão fiscal treinado em Chicago e trazido do setor privado para substituir o fiel escudeiro do PT, Guido Mantega, está desfazendo as políticas assistencialistas que caracterizaram o primeiro mandato de Dilma e reequilibrando as contas do governo.

Qualquer tentativa por parte de Dilma de passar por cima de Levy e ditar as políticas econômicas poderia resultar em um pedido de demissão do ministro, o que levaria a uma indesejada fuga de investidores. Levy também parece mais capaz de negociar com o PMDB, que apoia amplamente o ajuste fiscal.

A terceirização da política está reduzindo o poder de manobra de Dilma poucos meses após iniciar seu segundo mandato.  “Depois ela reclama que a oposição quer lhe tirar do governo, mas ela mesma está abrindo mão dele”, diz Mendonça Filho.

Para Azevedo, o senador Aécio Neves tem razão quando diz que, ao escolher Temer para a coordenação política e tendo já aberto mão da condução da economia, Dilma executa uma espécie de “renúncia branca”.

 

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