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Dilma silencia a voz do Brasil no cenário mundial

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timthDilma Rousseff tem sido uma presidente inexpressiva em questões domésticas e, talvez o que é mais decepcionante, no cenário mundial também. Enquanto as outras três grandes economias emergentes, China, Rússia e Índia, estão avançando políticas externas de peso, sob a batuta de Dilma, a voz do Brasil na arena internacional mal registra um sussurro.

Enquanto milhões de brasileiros continuarem a ir às ruas para criticar a liderança de Dilma, alguns até pedindo o seu impeachment, a presidente, muito provavelmente, voltará suas energias para o enfrentamento dessa crise política.

Embora resgatar a confiança dos eleitores seja, sem dúvida, uma tarefa difícil, Dilma seria mais sensata se olhasse um pouco mais para fora, para ajudar a fortalecer a economia do país.

Relação com os EUA

Um primeiro passo seria fazer com que o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos voltasse a um patamar saudável. As autoridades americanas viam Dilma como uma promessa significativa durante seus primeiros anos de mandato. Consideravam-na uma líder mais pragmática do que seu antecessor e mentor, Lula, um dos ícones da esquerda latino-americana.

Mas as negociações para a expansão do comércio e do envolvimento diplomático foram frustradas no final de 2013, quando documentos da Agência de Segurança Nacional, vazados por Edward Snowden, revelaram que Dilma estava entre os alvos da vigilância americana. Ela denunciou a coleta massiva de dados globais da agência de espionagem como uma “violação do direito internacional”, cancelou uma visita de estado a Washington e desistiu na última hora de fechar um acordo de US $ 4,5 bilhões para comprar caças da Boeing.

Este ano, os governos Dilma e Obama manifestaram interesse em aprofundar a relação em áreas de interesse mútuo, que incluem comércio, política ambiental e o futuro da turbulenta Venezuela.

Dilma, ex-guerrilheira marxista, não vai se tornar uma aliada americana da noite para o dia, e há muitas áreas em que os dois governos irão continuar a concordar em discordar. O Brasil, por exemplo, tem sido crítico do uso da força militar norte-americana no exterior e, no passado, usou sua influência diplomática para fortalecer as instituições multilaterais que atuam como um contrapeso a Washington.

No entanto, o Brasil pode desempenhar um papel central em dois países latino-americanos que são de importância crescente para os Estados Unidos.

Gigante regional

Na Venezuela, o Brasil pode ser o ator externo mais influente, mediando o confronto entre o governo do presidente Nicolás Maduro e a oposição, cujos líderes tem sido presos por Maduro. Lula, um político carismático que se deleitava em avançar acordos diplomáticos, muitas vezes usava sua influência sobre o predecessor de Maduro, Hugo Chávez.

Em Cuba, o Brasil pode desempenhar um papel construtivo na evolução econômica e política da ilha agora que a era Castro se aproxima do fim. O Brasil já investiu em um enorme porto novo que poderia ajudar a ressuscitar a anêmica economia cubana.

Como líder de esquerda, Dilma tem sido previsivelmente simpática com os líderes autoritários de ambas as nações. Como ex-prisioneira política que sofreu tortura durante uma época de repressão no Brasil, ela poderia fazer muito mais para defender a causa dos que lutam pelos valores democráticos e pelos tipos de movimentos sociais que permitiram sua ascensão ao poder.

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