Dilma: pesquisas de opinião não são ‘última palavra’

Por Fábio Góis – congressoemfoco.com.br

A entrevista começou com o apresentador do Brasil Urgente (TV Bandeirantes), José Luís Datena, dizendo que a ex-ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, é “mais bonita ao vivo”. E foi assim, em tom descontraído e falando mais do que a entrevistada, que o âncora realizou no início desta noite, ao vivo e por quase meia hora, o segundo bate-papo com um presidenciável – o primeiro foi em 19 de março, com o tucano José Serra, que na ocasião acabou por admitir, pela primeira vez, que era o candidato do PSDB à sucessão de Lula, mas que só anunciaria em abril.

Dilma falou sobre o linfoma (câncer de mama) superado recentemente, desqualificou a versão de que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não saía do papel – como alega a oposição –, minimizou a polêmica dos royalties do petróleo, declarou que avanços foram feitos na área da saúde durante o governo Lula e, em menção à mais recente pesquisa Ibope, disse que registros como esse não antecipam um resultado definitivo.

“A pesquisa é um sinal do momento, mas os ventos mudam. Os resultados das pesquisas mais recentes são bastante variados. É um retrato, mas não é a última palavra sobre o momento. Mas eu não vou brigar com o instituto, eu respeito instituto”, disse a ex-ministra. De acordo com a pesquisa, Serra tem vantagem de oito pontos percentuais sobre Dilma no cenário mais provável no momento, sem Ciro Gomes, do PSB, como candidato. Num provável segundo turno, Serra tem nove pontos de vantagem sobre Dilma. “Eu estou saindo lá de baixo e estou chegando aqui”, reagiu ela.

Dilma rebateu as críticas da oposição de que o PAC mostrou resultados pífios. Para tanto, ela citou obras de São Paulo, que Serra tem apresentado como sendo unicamente de seu governo. Caso do Rodoanel (contorno rodoviário da cidade de São Paulo) e de empreendimentos urbanos em municípios como Heliópolis, Paraisópolis e Guarapiranga, “Essas obras estavam no PAC, numa parceria muito boa com o Serra”, disse ela. “Como que é que o PAC não existe?”, questionou.

Entre as loas de Datena ao presidente Lula (“Eu adoro o Lula!”, exclamou o âncora; “Então somos dois”, emendou Dilma), a petista mal conseguia terminar suas respostas, mas completou a frase em que resumiu o imbróglio dos royalties do petróleo. “[O ideal] é o projeto do governo, e eu participei do projeto. Não queríamos que essa discussão se confundisse com a disputa eleitoral”, ponderou a ex-ministra, defendendo um repasse maior para estados produtores e com equipamentos de exploração em seus domínios.

Sobre o principal adversário, Dilma ressaltou a relação “respeitosa” que tem com o ex-governador de São Paulo, mas voltou a qualificar os oposicionistas como “biruta de aeroporto”, em referência ao instrumento que revela a direção do vento. “Nem eu sou tão brava quanto se diz nem ninguém é tão bonzinho como parece”, emendou, acrescentando que se referia não ao Serra, embora não tenha revelado de quem falava.

Corrupção

A respeito da avalanche de denúncias surgida nos dois mandatos de Lula, Dilma disse que as instituições de combate ao crime e de promoção da Justiça estão mais atuantes do que nos governos anteriores. “Muito do que apareceu fomos nós que descobrimos. Nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, a Polícia Federal fez 29 operações especiais. Foram 1.012 no governo Lula”, disse, referindo-se também à Controladoria Geral da União e ao Ministério Público.

Datena faz algumas menções ao ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, recentemente preso por dois meses por ter atrapalhado as investigações do inquérito sobre o chamado mensalão do Arruda – segundo o ministro Fernando Gonçalves, responsável pelo caso no Superior Tribunal do Justiça, esquema criminoso comandado pelo ex-governador, como a alcunha sugere. “Pra mim, quem paga um milhão em panetone tem que passar por exame criminal”, disse o apresentador, em referência à desculpa inicial de Arruda. “Hoje se vê ser preso governador, prefeito, empresário, banqueiro”, arrematou a ministra.

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