Dilma não sofre impeachment nem renuncia, afirma senador Jereissati

.
tasso_jereissati_antoniocruz_abr2O senador Tasso Jereissati, vice-presidente nacional do PSDB, afirmou que na sua opinião não haverá impeachment e nem renúncia da presidente Dilma – medida que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) havia sugerido a Dilma como “um gesto de nobreza”. Tasso entende que a presidente não sofrerá impedimento por parte do Congresso ou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas que também não será capaz de recompor sua base de apoio parlamentar nem de conseguir a recuperação da economia. As informações são do jornal O Povo.

Jereissati, que é também empresário e ex-governador do Estado do Ceará, falou das mudanças que presenciou desde sua estreia no Senado, quando o PT chegava ao poder, e neste segundo mandato da Dilma.

“Mudou tudo, completamente. Como se fosse outro mundo. Quando cheguei no Senado, o Lula assumindo a Presidência da República, havia uma expectativa extremamente otimista em relação ao PT e ao Lula, principalmente. Havia o grande respeito, inclusive da oposição. Eu mesmo fiz um discurso saudando ao presidente Lula, dizendo que aquele momento era importante para o Brasil. Afinal de contas, era uma solidificação de uma democracia. Um presidente que era um sindicalista, um operário de colarinho azul, do chão de fábrica, de um partido de esquerda, que tomava posse eleito democraticamente sem que nenhuma vidraça tivesse sido quebrada”, lembrou o senador.

“Hoje é exatamente o oposto de tudo isso”, afirma Tasso.

“Um PT desmoralizado, sem credibilidade, sem o respeito nem nosso, da oposição, nem da população, nem do mundo. O Brasil desmoralizado. A economia em frangalhos, numa das piores situações que eu já vivi na minha vida. E, moralmente, que era uma esperança que se tinha no PT, que viesse a ser uma referência de conduta moral e ética no governo, essa, então, totalmente jogada por terra. E, o pior, sem perspectiva. Sem luz no fim do túnel. Sem uma referência que diga: é por aqui que nós vamos sair.

Valores

O senador tucano vê, além dos problemas na economia, perda de valores e também uma falta de controle das questões de saúde incompatíveis com o nosso o tempo.

“Desde problemas na economia até a Lava Jato, uma degradação de valores. Até problemas sociais, como nós estamos vivendo aqui. Problemas gravíssimos, como esse do zika vírus e da microcefalia. Parece até que nós estamos voltando, em determinados pontos, à Idade Média, por falta de controle sobre as questões da saúde”, considera Tasso.

Jereissati considera que o PT perdeu a oportunidade de unir o país e  criou um clima de rancor que hoje se espalha pela população.

“A primeira coisa que [o PT] fez foi tentar, o máximo possível, espezinhar e acusar os derrotados; dividir o Brasil entre nós e eles: nós, partidos que ganhamos, contra eles. Depois, eles, da elite, contra nós, do povo. Criou um Brasil muito dividido. Não apenas dividido, mas com um sentimento de rancor muito profundo, que a gente sente hoje espalhado pela população. Foi um erro fundamental de visão filosófica de governo”, apontou.

Fuga

Quanto à afirmação de que o PSDB deixou de ocupar espaços e fugiu a debates importantes, o senador concorda:

Você tem razão. O nível de popularidade do Lula era tão grande, que era difícil. O PT, usando dessa popularidade do governo, demonizou algumas palavras, como privatização, liberal e neoliberal. Ficou demonizado. Numa dessas eleições, no ápice do PT, havia uma discussão sobre a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Cheguei numa cidade do interior muito pequena e na entrada da igreja tinha um livro de assinatura contra a Alca. E eu perguntei: por que isso? O senhor não sabia? Os Estados Unidos vão tomar conta do Brasil. O PT criou esse tipo de demonização, que ficou imune a qualquer debate, a qualquer discussão mais racional. Isso, de uma certa maneira equivocada, intimidou o PSDB durante algumas campanhas eleitorais”, reconheceu.

A falta de competência política do PT é o maior problema do partido, na visão do vice-presidente do PSDB:

“A maior crise política é um governo sem base política. Todas as crises foram geradas pela base do governo. Nós não representamos 20% do Senado. Nós não temos maioria para derrotar nada no Senado. Absolutamente nada. Nem pra ganhar nada. Quem derruba, ou vai derrubar ou votar, é a base do governo. Mais grave ainda: boa parte é do partido do governo. O PT foi a maior oposição ao ministro do governo (ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, que foi substituído por Nelson Barbosa, ex-ministro do Planejamento), acusou Tasso Jereissati.

 

Por Edson Sardinha do Congresso em Foco

Deixe um comentário