Brasil  

Dilma levanta a taça e pisa na bola

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Por Claudio Carneiro – Opinião & Notícia
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timthumb.phpA exemplo do que fizeram Bellini, Mauro, Carlos Alberto, Dunga e Cafu em momentos de glória, a presidente da República levantou esta semana a taça do mundo sobre a cabeça. O gesto – incentivado pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter – tem potencial conotação política e pode trazer consequências desastrosas para a campanha da reeleição caso a seleção de Luiz Felipe Scolari sofra um revés durante o torneio. Ao mesmo tempo, o ato de erguer a taça será absolutamente esquecido caso a seleção conquiste o hexa, uma vez que caberia a Thiago Silva o direito de eternizar tal gesto.

Em outras palavras, Dilma pisou na bola. Assim como FHC, em 1986, deu mole ao sentar na cadeira de prefeito a 24 horas de uma eleição na capital paulista. A bobeira permitiu que Jânio Quadros tomasse a bola e marcasse um gol considerado impossível, conquistando o troféu de prefeito da maior cidade do país, numa virada espetacular.

Se a presidente tivesse lido a pesquisa do Ibope Inteligência sobre a disposição do brasileiro em relação à Copa, não participaria nem mesmo de uma linha de passe, altinho ou roda de bobinho. A sondagem mostrou uma grande dose de coerência e de patriotismo dos consultados, além de um distanciamento crítico em relação ao evento.

De fevereiro para maio, subiu de 38% para 42% o número de torcedores que são contrários à realização da Copa. Ainda assim, entre os que rechaçam o torneio, 71% desejam que dê tudo certo. Outros 11% querem ver o circo pegar fogo e vão torcer contra tudo e contra todos.

No aspecto da percepção das sensações dos 2 mil entrevistados em 140 municípios do país, o sentimento de “preocupação” com o evento (30%) foi o mais citado, seguido do “desperdício”, apontado por 29% dos ouvidos. Do lado positivo, a Copa vai trazer “alegria” para 26% – já foram 29% – dos consultados e “esperança” para 18% – antes eram 20%.

Trocando em miúdos, a “vibe” não é das melhores e Dilma Rousseff deveria ouvir mais o que os treinadores dizem a seus jogadores quando alertam para jogar sem firulas, atenção na contenção e, principalmente, não jogar pra torcida.

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