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“Dilma está no cargo, mas não mais no poder”, diz “Economist”

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timthMesmo após as manifestações do dia 12 de abril que aconteceram em vários pontos do país, a presidente Dilma Rousseff permanece no cargo. Porém, para muitas finalidades práticas, ela não está mais no poder. “Dilma está no cargo, mas não mais no poder”, diz a Economist.

Graças à deterioração da economia e a um enorme escândalo de corrupção na Petrobras, ela agora é profundamente impopular. Os manifestantes querem que ela seja cassada, assim como 63% dos entrevistados em uma pesquisa recente.

Esta é uma grande reviravolta. Durante 12 anos, o PT dominou a política do Brasil, graças às políticas sociais de Lula. Dilma carece da habilidade política de Lula, e suas relações agora são apenas cordiais. Mas, ainda assim, a elevação dos padrões de vida foram o suficiente para conquistar um segundo mandato para ela.

Duas coisas corroeram sua autoridade desde então. Em primeiro lugar, os erros de seu primeiro mandato que levaram o Brasil à beira de uma grave recessão. E em segundo lugar, ela nomeou Joaquim Levy como seu ministro da Fazenda ao enfrentar a perda da nota de crédito e do grau de investimento do país (que elevaria o custo dos empréstimos para empresas e famílias). Ele agora está ocupado cancelando subsídios.

Dilma também não comanda a agenda política. A presidente perdeu o controle do Congresso para o PMDB, que é o principal parceiro de coligação do PT. O PMDB se queixa muito de que o PT monopolizou os principais ministérios. No entanto, agora ele se vingou. Eduardo Cunha, do PMDB, ganhou do candidato do PT o cargo de presidente da Câmara dos Deputados. Cunha, por sua vez, exerce a sua própria agenda.

O que torna essa perda de poder presidencial tão dramática é que Dilma ainda tem quase mais quatro anos de mandato. Nesse tempo, a economia vai certamente piorar antes de melhorar. Até agora nada liga Dilma à corrupção. Alguns gostariam que irresponsabilidade fiscal fosse passível de impeachment, mas não é. Cunha é quem deve decidir se pretende iniciar ou não o processo de impeachment, mas ele é um dos 52 políticos sendo investigado por receber supostas doações ilegais da Petrobras.

 

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