Dez capas de revista ‘racistas’

Fonte: opiniaoenotícia.com.br

A FHM Filipinas acaba de publicar uma capa considerada racialmente insensível, que provocou uma onda de protesto dos leitores.

FHM Filipinas, março de 2012

A FHM é conhecida por suas capas provocantes e linhas ousadas, mas com sua edição filipina de março— a revista masculina mais vendida no país— não foi a foto de biquíni ou a matéria sobre lubrificantes sexuais que ofendeu os leitores. Imediatamente após a imagem da capa ser postada na internet, protestos pediam que a FHM tirasse das bancas a edição, que apresentava a atriz de pele clara Bela Padilla emergindo de um grupo de modelos negras com a frase “Saindo das sombras” logo abaixo. “Uma capa com a Bela Padilla ‘saindo das sombras’ não seria controversa, se as sombras não fossem modelos negras”, disse Victor Bautista, que criou uma petição no site Change.org.

Respondendo à indignação, a revista mudou a imagem e a frase, que virou “Quero emergir com meu próprio nome”. Padilla, por sua vez, ficou surpresa com a reação negativa: “Fiquei orgulhosa com a capa que fizemos porque racismo estava totalmente fora das nossas cabeças”, ela disse à BBC. “Então não esperávamos que receberíamos tanto feedback negativo porque não tínhamos intenção de discriminar ninguém”.

Vanity Fair, março de 2012

Se tornou uma espécie de tradição anual: assim que a Vanity Fair divulga sua edição Jovem Hollywood, artigos questionam porque não há atrizes das minorias na capa. Para a edição de 2012, apenas duas das 11 atrizes apresentadas na capa tripla são mulheres negras — Adepero Oduye de “Pariah” e Paula Patton de “Missão Impossível 4” — e elas foram obscurecidas nos dois terços que ficam escondidos na banca de jornal.

E enquanto os escritores do editorial ficam irritados quando alguém pergunta se a Vanity Fair está sendo justa, as jovens atrizes têm uma atitude mais aberta. “Nós podemos passar muito tempo criticando nosso belo país, mas não damos a ele seu devido crédito”, disse a estrela de Avatar Zoe Saldana em 2010 depois de não ter ficado na capa da revista. “Avanços podem parecer um pouco lentos, e eles podem não estar nos acompanhando como nós gostaríamos, mas ainda é um país incrível”.

Elle Índia, dezembro 2010

Alguns meses depois de a edição norte-americana da Elle ser acusada de clarear a pele da atriz Gabourey Sidbe, a edição indiana da revista enfrentou a mesma acusação com a capa da estrela de Bollywood Aishwarya Rai Bachchan. De acordo com um amigo da atriz, “A primeira reação de Ashwarya foi de descrença. Ela acreditava que essas coisas não aconteciam mais. Não na nossa época, em que mulheres são reconhecidas por seus méritos e não pela cor da pele. Ela está atualmente verificando a alegação de clareamento da pele. Se houver prova disso, ela pode até tomar uma medida”. A revista, no entanto, nega a acusação. “Nós não clareamos o tom de pele da Ashwarya nas fotos”, disse a editora-chefe da Elle Índia, Nonita Kalra.

Elle Estados Unidos, outubro 2010

Retoques escandalosos são comuns em revistas de moda, mas eles normalmente envolvem reduzir uma cintura ou limpar um defeito. Em outubro de 2010, Elle foi criticada por clarear a pele da atriz indicada ao Oscar Gaborey Sidibe na capa da sua edição de aniversário de 25 anos. Mas a revista negou as críticas. “Temos quatro capas separadas este mês, e a capa da Gabby não foi retocada nem mais nem menos do que as outras”, disse um porta-voz sobre a edição.

Se você olhar o portfólio, cada uma das mulheres foi fotografada em diferentes formas e por diferentes razões. Mas a imagem também foi elogiada por críticos que notaram que Sidibe não tinha sido chamada para a capa da edição Jovem Hollywood da Vanity Fair— uma controvérsia que a própria atriz achou exagerada. “Eu venho de um mundo em que não estou nas capas e não estou nas revistas em geral”, disse Sidibe. “Então fiquei feliz por estar na revista.”

Nationa Review, junho 2009

Quando a edição de junho de 2009 da National Review apresentou uma ilustração na capa da juíza Sonia Sotomayor como Buda com olhos puxados e a frase “A sábia latina”, muitos perguntaram por que a publicação tinha contornado um campo minado racial pisando em outro. Mas o editor da revista, Rich Lowry, apontou aqueles que não tinham entendido a imagem como os que eram ignorantes. “Me parece bastante auto-explicativo”, ele disse ao Salon sobre o pensamento por trás da capa. “Ela mesma se caracterizou como uma latina sábia, então fizemos uma caricatura dela em uma pose associada a equilíbrio extraordinário, paz e — sim — sabedoria…”

The New Yorker, julho 2008

A ilustração de capa da edição da The New Yorker de julho de 2008 mostrando a comemoração dos Obamas no Salão Oval foi um exemplo clássico de sátira ou foi racismo flagrante? A imagem, do ilustrador Barry Blitt, mostrava o então candidato vestido em traje muçulmano, enquanto sua mulher tem um cabelo afro e está carregando uma metralhadora (e um retrato de Osama Bin Laden está pendurado acima da lareira, onde uma bandeira norte-americana está claramente queimando).

“Acho que ela sustenta um espelho para o preconceito sobre o passado e as políticas de Barack Obama — dos dois Obamas”, disse o editor do Huffington Post David Remnick sobre a imagem. “A ideia de que publicaríamos uma capa dizendo essas coisas literalmente, eu acho, simplesmente não está no vocabulário do que fazemos e do que somos… Publicamos muitas, muitas capas políticas satíricas. Pergunte à administração Bush quantas.”

Vogue, abril 2008

Em 2008, quando LeBron James se tornou o primeiro negro a aparecer na capa da Vogue, um debate surgiu sobre se a imagem da estrela da NBA abraçando Gisele Bündchen era racista. Críticos sugeriram que a fotografia de Annie Leibovitz lembrava muito um pôster de filme mostrando o King Kong com a atriz Fay Wray nas suas mãos. Mas a revista defendeu a imagem: “Nós achamos que LeBron James e Gisele Bündchen ficam lindos juntos”, disse o porta-voz Patrick O’Connell, “e nós estamos honrados de tê-los na nossa capa”. O próprio James não ficou ofendido. “Tudo em que meu nome está vai ser criticado de forma boa ou ruim”, ele disse ao USA Today. “Quem se importa com o que dizem?”

Golfweek, janeiro 2008

Na época em que Tiger Woods ainda era o número um do golf, dois analistas no Golf Channel estavam discutindo seu domínio. Depois que Nick Faldo disse que “para derrubar Tiger, [os outros golfistas] talvez devessem se juntar [contra ele] por um tempo”, a âncora Kelly Tilghman respondeu com uma risada, “linchá-lo em um beco escuro”. Tilghman foi suspensa por duas semanas pelo comentário, mas pouco tempo depois a revista Golfweek colocou a controvérsia na sua capa com a imagem de uma corda e a frase “Preso em uma corda”. O editor da revista foi imediatamente demitido e a Turnstile Publishing se desculpou pela capa ofensiva.

Time, junho 1994

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de a Time publicar uma foto do registro policial de O. J. Simpson em junho de 1994, a revista foi difamada por escurecer a pele de Simpson (A Newsweek publicou a mesma imagem na mesma semana, mas deixou a foto sem retoque). Enquanto a capa da Time foi claramente rotulada como uma foto ilustração pelo artista Matt Mahurin, o editor da revista rapidamente se desculpou por ter ofendido os leitores.

“Parece-me que seria possível argumentar que é racista dizer que mais negro é mais sinistro, mas seja como for: na medida em que isso ofendeu alguém, eu obviamente me arrependo” , disse Jim Gaines em uma declaração, acrescentando, “Serei um pouco mais cuidadoso sobre fazer um retrato ou foto ilustração com prazo muito apertado, que foi o caso aqui”.

Esquire, junho 1934

Com sua segunda edição, em 1934, a Esquire apresentou seu mascote Esky, um bigodudo de olhos saltados que definia o homem da Esquire. Em cada capa pelas primeiras quatro décadas, o Esky representava uma fantasia de um homem sofisticado — ou apenas olhava uma menina do coral. Em junho de 1934, a revista publicou uma imagem aparentemente ofensiva de Esky tentando bater em uma bola de golfe enquanto um menino negro extremamente estereotipado observava. Mas em uma virada irônica, o próprio Esky foi criado por E. Simms Campbell, o primeiro cartunista negro a aparecer em uma revista nacional e colaborador de longa data da Esquire.

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