Destaques da Revistas Veja e Isto É, nas bancas no dia 10 de abril

Veja

Rio…do descaso, da demagogia, do populismo e das vítimas de suas águas

A tempestade que se abateu sobre o Rio de Janeiro na madrugada da última terça-feira, com fúria e persistência recordes, escancarou a gravidade de um problema há décadas negligenciado: o incentivo oficial para a ocupação de encostas. Não fosse o risco de vida embutido, a “indústria da favelização” poderia até ser vista como um programa social. Não é. Os falsos beneméritos dão ajuda material a famílias inteiras para que se instalem em áreas de alto risco em troca do voto delas nas eleições. Quando ocorrem tragédias como a da semana passada, eles fingem que o problema não é com eles. O último levantamento oficial mostra que em 119 favelas, de sete municípios do estado, ocorreram 197 das 219 mortes registradas até agora. Ao testemunhar o desabamento de dezenas de casebres e a morte de vizinhos no Morro dos Prazeres, na Zona Sul da cidade e um dos mais atingidos pelas chuvas, José Ferreira, 60 anos, resumiu: “Parecia um tobogã”. O padrão se repetiu em diversos pontos. Um após o outro, os morros foram lavados pela força das águas da chuva, perdendo sua fina cobertura de terra onde foram plantados os barracos irregulares não apenas com a complacência das autoridades mas com sua ajuda. Diz o sociólogo Bolívar Lamounier: “O fenômeno da favelização no Rio é consequência do relaxamento moral e jurídico”.

A candidata petista falou “dilmais”

O pacote da pré-campanha da ex-ministra Dilma Rousseff é de impressionar. O PT alugou casas, um comitê, reservou carros, jatinhos, contratou especialistas americanos em internet, jornalistas, institutos de pesquisa, consultores de imagem, fonoaudiólogos e marqueteiros – um aparato de estrela que já está trabalhando, mas que ainda convive com um grande enigma: o desempenho da ex-ministra sem a presença do presidente Lula a seu lado. Na semana passada, surgiram os primeiros indícios do que está por vir. Em sua incursão-solo inicial, Dilma escolheu Minas Gerais como cenário para testar seu desempenho. Seguindo o roteiro convencional dos políticos, a petista colocou crianças no colo, fez promessas a empresários, tomou cafezinho com cidadãos comuns e distribuiu beijos e afagos. O resultado foi considerado satisfatório. No palanque e nas entrevistas, territórios em que talvez o eleitor tenha as melhores condições de enxergar seu candidato da maneira como ele realmente é, a ex-ministra causou espanto. Ao contrário de tudo o que já havia feito, Dilma adotou um discurso agressivo, classificando os opositores como “lobos em pele de cordeiro”, para, logo depois, defender a possibilidade de uma parceria entre ela e o candidato ao governo de Minas Antonio Anastasia, do PSDB – supostamente um dos tais “lobos em pele de cordeiro”.

Isto É

Michel Temer um vice bem resolvido

As cartas da campanha à Presidência da República estão lançadas. Com a desincompatibilização da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e do ex-governador José Serra (PSDB), só falta aos pré-candidatos escolher seus vices. Nessa tarefa, os aliados do governo estão numa posição mais avançada e bem mais confortável do que os adversários. Já têm um nome de consenso para a vice-presidência: o do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que executou a façanha de unificar um partido historicamente dividido. Ainda que sua candidatura não tenha sido anunciada oficialmente, as dúvidas sobre a presença de Temer na chapa governista ao lado de Dilma se dissiparam com a permanência de Henrique Meirelles no Banco Central. Ao receber ISTOÉ em seu gabinete na noite da quarta-feira 7, Temer admitiu seus planos, mas com a cautela que lhe é peculiar. “Aparentemente está definido, mas definido não está”, afirmou Temer, ressalvando que qualquer posição ainda depende de conversas com o PT e a ex-ministra. Por precaução, ele ainda prefere dizer que será candidato à reeleição para a Câmara. “Quando viajo ao interior de São Paulo digo que sou candidato a deputado federal para garantir meu espaço”, comenta. Apesar da cautela, Temer sabe que a formalização da chapa é uma questão de semanas e dá a indicação sobre a possível data do anúncio. “O PMDB vai realizar um grande Congresso em Brasília em 15 de maio para apresentar sua contribuição ao programa político do PT. Vamos fundir os programas e construir nossa coalizão eleitoral”, antecipa. A escolha do nome de Temer põe fim a uma queda de braço com o PT e o presidente Lula que já durava meses.

Treino de militantes

Na sala de um prédio no Recife, abarrotada de militantes e simpatizantes do PSDB, o palestrante André Regis, cientista político e presidente do Instituto Teotônio Vilela em Pernambuco, conclama: “Se tiver poucos segundos para convencer alguém a votar em José Serra, fale da biografia dele. Compare com a de Dilma”, recomenda. Logo em seguida, um slide é exibido com os seguintes dizeres: “As pessoas devem deixar de ser espectadoras e se sentir participantes. Buscar engajamento.” O evento faz parte do programa Comunicar 45, idealizado pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), com o objetivo de treinar militantes a defender o partido e a candidatura de Serra ao Planalto. “Municiálos de argumentos para o debate político da eleição”, disse Regis à ISTOÉ. Como o foco principal do PSDB, hoje, são os eleitores indecisos, os participantes das palestras são aconselhados a utilizar uma linguagem simples. “Não adianta dizer que o nosso partido foi o responsável pela estruturação da economia do País. As pessoas não vão entender”, explica o dirigente tucano. “Pergunte se ele tem celular. Fale da telefonia”, insiste Regis, enquanto o Power Point associa a estrela do PT a uma ficha telefônica.

A volta da parabólica

Mesmo de fora do embate acalorado entre o PT e o PSDB, a senadora Marina Silva (PV-AC) trouxe uma polêmica para o interior de sua própria campanha. Tudo começou há dois meses, quando ela procurou o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Ricupero, 73 anos, para entender melhor os riscos da aproximação do Brasil com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Com a franqueza que já lhe custou o cargo de ministro da Fazenda, Ricupero disse que o Irã possui um regime altamente repressivo, que nega o holocausto e defende valores opostos aos brasileiros, por isso o governo brasileiro deveria tomar mais cuidado com os amigos que escolhe. Desde essa conversa, Marina liga para o apartamento do embaixador no bairro do Pacaembu, em São Paulo, todas as vezes que precisa de opiniões sobre assuntos externos. Foi assim no início de março, ocasião em que a senadora deu entrevista para o “The Economist”. “Ela é minha amiga pessoal. É sempre um prazer falar com a Marina. Mas eu sou amigo e colaborador do José Serra. Sou eleitor do Serra”, disse Ricupero. A negativa de Ricupero soou como um balde de água fria na intenção do PV de levar simpatizantes do PT e do PSDB para uma terceira via personificada pelos verdes. Ao menos oficialmente, Ricupero não participará da campanha de Marina. Continuará, no entanto, dando conselhos sempre que for solicitado. Em 1994, quando era ministro da Fazenda do governo Itamar, Ricupero disse ao jornalista Carlos Monforte que “o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”, antes do lançamento do Plano Real, sem saber que as antenas já estavam captando o sinal transmitido pela Rede Globo.

O bilionário de Geddel

Geólogo de formação, o empresário João Carlos Cavalcanti ficou bilionário ao encontrar grandes jazidas de minério de ferro no interior da Bahia. Sua fortuna não parou de crescer nos últimos 30 anos. E JC, como é conhecido no mundo dos negócios, vive de acordo com o patrimônio que amealhou. Embora evite badalações, gosta de pilotar carros de luxo, numa coleção que inclui Ferrari, Porsche e Maserati. Também tem vida ativa na política de seu Estado, mas sempre foi homem de atuar nos bastidores. Agora, porém, aos 60 anos, decidiu dar a cara para bater. Ele oscila entre se lançar a vice-governador da Bahia na chapa do exministro Geddel Vieira Lima (PMDB) ou a senador da República. “Tenho planos sérios de ser candidato a presidente da República em 2018”, anuncia o ambicioso Cavalcanti. Ele já faz discurso de campanha: “Não vou roubar, eu não preciso roubar, ganhei meu primeiro milhão aos 26 anos de idade.” Este novato em campanha eleitoral deixa muitos caciques baianos de orelha em pé, não apenas pelo patrimônio pessoal de R$ 2 bilhões, mas também pela possibilidade de atrair contribuição de grandes empresas para o caixa do PMDB. “Ele tem a capacidade de mobilizar recursos pessoais e de grandes grupos, mas dinheiro não é tudo numa campanha”, diz o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA). Cavalcanti é sócio de empresas que contam com a participação de Antônio Ermírio de Morais, do Grupo Votorantim, Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, e Eike Batista, da MMX. “Os grandes grupos de consórcios dos quais faço parte, acredito, vão contribuir para nossa campanha”, prevê JC. O bilionário quer ocupar o que considera uma brecha na política local, aberta com a morte do ex-senador Antônio Carlos Magalhães. “Depois de ACM, isso aqui virou um balaio de gato”.

Campanha começa em clima quente

A primeira semana da pré-campanha à Presidência mostrou que a eleição transcorrerá num clima beligerante entre PSDB e PT. Nos últimos dias, a temperatura subiu mais do que o esperado. Acossado pelos números das pesquisas Band/Vox Populi, CNI/Ibope e Datafolha, em que a distância entre o exgovernador José Serra e a ex-ministra Dilma Rousseff oscilou de três a nove pontos percentuais, o PSDB foi o primeiro a elevar o tom da disputa com estocadas abaixo da linha da cintura. Na quartafeira 31, dia em que deixou oficialmente o governo de São Paulo, Serra pôs em dúvida a ética dos adversários do PT. “Os governos, como as pessoas, têm de ter caráter, índole e honra. Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras”, disse. No dia seguinte, aconselhado por assessores, o tucano suavizou o discurso. Durante cerimônia de assinatura de um programa de ajuste fiscal que permitirá ao Estado de São Paulo obter mais R$ 3,3 bilhões em financiamentos, Serra tentou vestir o figurino de candidato pós-Lula, ao elogiar publicamente o presidente da República e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A postura ambivalente do précandidato do PSDB foi a senha para o PT contra-atacar. Em reuniões do staff da campanha, ficou decidido que Dilma Rousseff sairia a campo para marcar as diferenças entre PSDB e o PT. E, com isso, neutralizar a estratégia tucana de se mostrar ao eleitorado como uma continuidade ao governo petista e não como o anti-Lula. “Não podemos cair nessa cantilena do Serra de dizer que não é oposição ao governo”, disse o ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, no encontro.

O dono da bola
 
O novo governador paulista, Alberto Goldman (PSDB), 72 anos, assume o Palácio dos Bandeirantes com metas similares às que persegue nas quadras de basquete há seis décadas. Quer marcar muitos pontos a favor da candidatura à Presidência de seu antecessor, José Serra, mas evitar cometer faltas dentro e fora da quadra. “O problema da multa não é o pagamento”, diz Goldman, referindo-se à punição por irregularidades na campanha eleitoral. “A multa é uma questão moral.” Para o antigo comunista, administrar bem São Paulo será a cesta mais valiosa, mesmo que para isso precise fazer mudanças no secretariado. Engenheiro civil formado pela USP, Goldman foi ministro dos Transportes, secretário estadual de São Paulo em duas gestões e seis vezes deputado, quatro delas na Câmara Federal.

O Rio submerso

O amanhecer no Rio de Janeiro na terça-feira 6 foi estranho sob todos os aspectos. Não havia ruído de carros, as ruas estavam vazias e as lojas fechadas. Em muitos bairros, o que era calçada tinha virado um amontoado de lama, avenidas tinham se alinhado à Lagoa, crateras se abriram no solo, a chuva que caíra forte durante a noite ainda castigava a cidade e o vento varria o nada – porque era o nada que ocupava o espaço público do mais belo cartão-postal do País. O Rio entrara em colapso. Não era uma parte, uma região, um lugar. Desde a requintada zona sul, passando pela zona norte e indo até os confins da zona oeste, tudo parou e todos, ricos e pobres, foram afetados.

Não há registro na história recente das grandes metrópoles de uma pane urbana paralela. Um governador e um prefeito repetiam à exaustão o pedido para que as pessoas não saíssem de casa. Pela televisão e pela internet o carioca viu a destruição que o temporal tinha causado. Além das enchentes e do caos urbano, o pior: pessoas tinham morrido. Noventa por cento das quase 200 pessoas mortas até a sexta-feira 9 foram engolidas pela terra que deslizou do alto dos morros em que moravam. Em Niterói, até o final da tarde da sexta-feira, 111 corpos haviam sido resgatados e os bombeiros estimavam em cerca de 200 o número de pessoas ainda soterradas. Em São Gonçalo, 16 pessoas morreram; em Santa Tereza, na região central da capital, 21 corpos foram localizados e o trabalho de resgate se reproduzia em todas as partes da cidade e da região metropolitana. São pessoas que perderam a vida numa tragédia anunciada. Moravam em áreas de risco, em encostas de favelas. E, desde que o mundo é mundo, todos sabem que esses lugares são endereços de catástrofes.

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Um comentário para “Destaques da Revistas Veja e Isto É, nas bancas no dia 10 de abril”

  1. Bertho. 20/08/2011
    Indignação e vergonha de ser Brasileiro.

    Diante das escandalosas denuncias de corrupção do ministro das cidades, Mario Negromonte, me sinto como um otario feito idiota. Ha poucos dias conheci de perto aqui no interior da bahia este tal ministro das cidades, dando rizadas na caro dos pobres do sertão. O PP, vale um vintem, vale??? Nota zero pra estes ratos que fazem dos Brasileiros bestas. Basta, fora já este e os outros. Que vergonha ministro.