Deputado, em greve de fome, vai recorrer ao TSE contra aliança no Maranhão

Por Mário Coelho – congressoemfoco.com.br

O deputado Domingos Dutra (PT-MA), em greve de fome desde a última sexta-feira (11), vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a determinação do PT de apoiar a candidatura à reeleição de Roseana Sarney (PMDB) ao governo do Maranhão. A expectativa é que até amanhã (18) a ação seja apresentada na corte eleitoral. “Queremos que a decisão do diretório nacional seja revertida e a decisão do diretório regional mantida”, afirmou o deputado, que recebeu o apoio de cerca de 200 manifestantes sem-terra na tarde de hoje.

Na ação, o deputado vai argumentar que a direção nacional não pode reverter uma decisão colegiada do partido no Maranhão. Além disso, também vai dizer que a aliança com Roseana Sarney vai de encontro com o que os petistas lutam no estado. “Ela tem a política do latifúndio, de explorar o meio ambiente, de dar incentivo à produção de cana, de soja”, afirmou o parlamentar. Desde a última sexta-feira, ele só ingere água e água de coco. Junto com ele, também está em greve de fome o líder camponês Manoel da Conceição, co-fundador do PT no estado.

No fim de março, a Executiva regional do PT decidiu pela aliança com o PCdoB, que lançou o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) para disputar o governo maranhense com 87 votos a favor e 85 contra. No entanto, a direção nacional do partido não concordou. Na tentativa de fortalecer a aliança com os peemedebistas para a campanha de Dilma Rousseff à presidência da República, a cúpula do PT reverteu a coligação de esquerda no Maranhão. Além de PT e PCdoB, também estava com Flávio Dino o PSB.

Com a permanência na greve de fome, deputados petistas tentam chegar a um meio termo entre o que deseja Dutra e a determinação da Executiva nacional. Parlamentares como Maria do Rosário (PT-RS) e Geraldo Magela (PT-DF) conversam com o presidente do partido, José Eduardo Dutra, para mudar a situação. Uma alternativa, segundo o parlamentar maranhense, é a formação de uma chapa pura de petistas, sem apoiar Roseana nem Flávio Dino. “Mas o Dutra está irredutível”, afirmou o deputado do Maranhão, referindo-se ao presidente do partido.

Apoio

Cerca de 200 manifestantes sem-terra, que estão em Brasília para um encontro de agricultura familiar, prestaram solidariedade à greve de fome do deputado e de Manoel da Conceição. Líderes do movimento ponderaram que a causa é justa, mas que eles devem saber o limite e a hora de parar. “Greve de fome é uma atitude extrema. Quando chega a esse ponto, é porque não existe mais diálogo”, afirmou o vereador Jorge Augusto Xavier (PT), da cidade de Buritis (MG). “Nada que afete a saúde ou coisa pior deve ser feita”, completou.

Onte, em discurso no plenário da Câmara, Dutra afirmou que só terminará a greve de fome quando morrer. Hoje, no entanto, ele reforçou que, com a abertura de negociações, a situação pode mudar. Entretanto, se for mantida a decisão de apoiar Roseana, ele vai definir o seu futuro político.

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