Depoimento de Cunha vira ato de desagravo

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eduardocunha_luciobernardojr_agcamara1Em vez de servir de instrumento para buscar respostas sobre o suposto envolvimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no escândalo de desvios de recursos descoberto pela Operação Lava Jato, o depoimento do peemedebista à CPI da Petrobras transformou-se em um verdadeiro ato de desagravo. Praticamente todos os congressistas que participam da reunião da CPI da Petrobras criticaram o pedido de investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e isentaram Cunha de qualquer eventual ilícito, embora a apuração do envolvimento de políticos com o esquema de corrupção na estatal esteja apenas no início.

No lugar de perguntas, Cunha ouviu elogios durante mais de duas horas por seus colegas congressistas. Tanto que o primeiro questionamento destinado a Cunha ocorreu exatamente às 12h26, três horas após o início do depoimento do peemedebista, por meio da deputada Eliziane Gama (PPS-MA).

Nos bastidores, o entendimento era de que o presidente da Câmara havia adotado estratégia acertada ao se antecipar a uma eventual convocação da CPI. O gesto de Cunha foi visto como uma demonstração de força política dentro do Congresso, segundo parlamentares ouvidos pelo Congresso em Foco.

O presidente da Câmara criticou o pedido de inquérito feito pela PGR durante seu depoimento à CPI. Cunha classificou a peça acusatória de Janot como “leviana” e “pérola”. Ele se diz alvo de uma “investigação seletiva”. Os demais parlamentares da base de Cunha endossaram o coro do deputado e também classificaram a peça da PGR como “seletiva”, “injusta” ou como fruto de “ilações” do procurador-geral da República.

“A inclusão do nome (na lista de Cunha) representa um julgamento político não associado ao processo judicial”, afirmou o relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-RJ). E os elogios não vieram apenas de partidos governistas. Mas também da oposição. “Você é mais presidente hoje do que as vésperas (da divulgação) dessa lista. A qualidade do conteúdo e a firmeza de suas posições dão aos partidos e aos parlamentares a tranquilidade e a sinalização ao país da plena estabilidade nesse processo”, disse o líder da oposição, Bruno Araújo (PSDB-PE).

“O senhor sai maior do que entrou”, complementou o deputado Aluísio Mendes (PSDC-MA), ex-agente da Polícia Federal que chegou a ser investigado pela PF por vazar informações de operações do órgão à família Sarney, da qual sempre foi aliado.

“A fragilidade nas acusações deixa claro que Vossa Excelência foi escolhido, com todas as letras, para ser investigado”, disse o líder do PSC, André Moura (PE). Já o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) afirmou que o pedido de abertura de inquérito pela PGR seria uma forma de tentar atingir a Câmara. “Mas (os investigadores) não irão atingir em hipótese alguma”, disse. O petebista foi além e declarou que a abertura de investigação contra 22 deputados e 12 senadores no exercício do mandato é uma “tentativa espúria” de forjar fatos para incriminar parlamentares.

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