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‘Demitir a chefe não vai salvar a Petrobras’, diz ‘Economist’

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timt“A Petrobras costumava maravilhar o mundo do petróleo com sua experiência na extração do recurso a milhares de metros abaixo do nível do mar. Agora, a gigante do petróleo brasileira é mais conhecida por explorar um tipo completamente diferente de profundeza”.

Não é preciso esclarecer que o novo poço explorado pela Petrobras ao qual a reportagem da revista Economist, publicada nesta quarta-feira, 4, se refere, é o escândalo multibilionário de corrupção, a montanha de dívidas e a imensa perda de valor sofridos pela maior estatal do Brasil sob o olhar no mínimo desatento da mulher prestes a se tornar ex-presidente da empresa, Maria da Graça Foster.

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O principal motivo da reportagem é informar aos leitores que, sucumbindo à pressão, a presidente Dilma finalmente decidiu aceitar o pedido de renúncia de Foster na terça-feira. No entanto, diz a revista, Foster não pode ser culpada pela maior parte dos problemas da estatal. Quem dá as cartas por lá é o governo:

“O governo toma a maioria das decisões estratégicas na empresa. Estas incluíram exigir que a estatal contrate e compre peças do ineficiente setor de serviços local, o que levou a atrasos e custos gigantescos; construa refinarias caras no pobre Nordeste em nome do desenvolvimento regional; e que ela seja a única principal operadora dos vastos e ultraprofundos campos do pré-sal descobertos em 2006 na costa brasileira.”

A reportagem cita ainda o controle artificial do preço da gasolina, manobra usada pelo governo Dilma para conter a inflação, e a importação de petróleo e diesel a um preço superior àquele comercializado no Brasil, estratégia que custou à estatal estimados R$ 48 bilhões. Sem falar, claro, no megaescândalo de corrupção deflagrado em março, que abocanhava pelo menos 3% de todos os contratos assinados pela estatal, segundo o delator Paulo Roberto Costa.

É por tudo isso que, para salvar a empresa, não basta afastar Graça Foster. Antes de mais nada é preciso afastar o governo.

“A tarefa mais importante para o novo chefe da Petrobras é resistir à interferência do Estado. A ingerência do governo transformou a Petrobras na menos rentável das grandes empresas de petróleo no mundo, de acordo com um relatório publicado no ano passado pelo Credit Suisse”, diz a Economist.

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