Da realidade à ficção, Aécio ganha força para a eleição de 2014

Ao mesmo tempo em que Fernando Henrique dizia que o mineiro é o “candidato óbvio” do PSDB à sucessão de Dilma, ele era comparado ao presidente fictício de minissérie.

Nas duas últimas semanas, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi um dos nomes mais comentados na esfera política nacional. De objetivo, o ex-presidente Fer­­nando Henrique Cardoso apontou o parlamentar mineiro como “candidato óbvio” do PSDB à Presidência da República em 2014.

Já pelo lado folclórico, Aé­­cio foi comparado ao presidente fictício Paulo Ventura, da minissérie O Brado Retumbante, exibida pela Rede Globo (leia mais nesta página).

Caricaturas à parte, Aécio é visto como o candidato tucano ideal para enfrentar o PT nas próximas eleições, segundo especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo.

Para eles, Aécio já deveria ter disputado o pleito de 2010 no lugar do ex-governador paulista José Serra – que, mesmo já tendo amargado duas derrotas na briga pela Presidência, luta mais uma vez para ser o candidato do PSDB.

 Salvação tucana

Apesar de jamais ter se colocado abertamente como postulante à Presidência, Aécio é tido como único tucano capaz de recolocar o partido no topo do poder depois de três governos petistas consecutivos.

Para atingir esse objetivo, o mineiro tem FHC como seu principal cabo eleitoral dentro da legenda. Em recente entrevista à revista britânica The Economist, o ex-presidente disse que Aécio é o “candidato natural” do PSDB para 2014. FHC foi além e, em certa medida, atribuiu a Serra a maior parte da culpa pela derrota para Dilma Rousseff em 2010.

“Nosso candidato estava isolado mesmo internamente. Não formamos alianças. Foi uma espécie de arrogância. Seria possível vencer”, afirmou, ressaltando que Aécio, ao contrário, é “mais apto a estabelecer alianças”.

 Análise

Para o cientista político Bruno Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apesar de não haver garantias de que Aécio venha a ser um candidato competitivo ou mesmo um bom presidente, ele é a melhor aposta da oposição para 2014.

Segundo Reis, ao contrário de Serra, que é desagregador e cria inimigos até dentro do próprio partido, Aécio tem um estilo conciliador e um ótimo trânsito político, mesmo entre as legendas governistas.

“Nesse cenário, ele teria cabos eleitorais não do povão, mas gente com mandato trabalhando para ele em todo o país. Com essa capilaridade, iria para a disputa com alguma chance de vitória. Mas ainda assim dependeria muito de a economia não estar tão bem como hoje”, afirma Reis.

Além de concordar com a opinião de FHC, o cientista político Alberto Carlos de Almeida ressalta que, ao defender o nome de Aécio, o ex-presidente tenta frear o ímpeto de Serra para mais uma disputa que só traria desgaste ao PSDB. “O Serra já não era o candidato ideal em 2010, sobretudo diante de uma eleição tão difícil. Teria sido muito melhor ter lançado o Aécio, que ao menos já seria preparado para 2014”, avalia.

Na visão de Reis, esse é exatamente o cenário desenhado para as próximas eleições. “Se perder, o Aécio cultiva a posição dele e deixa o tempo passar, para voltar no futuro.”

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 Entrevista

Beto Richa (PSDB), governador do Paraná

 O senhor, assim como o ex-presidente Fernando Henrique, também acha que o Aécio é o nome óbvio do PSDB para 2014?

Veja bem, é indiscutível que o Aécio tenha certa preferência, pois é um nome novo na disputa. Mas é muito cedo para privilegiar uma candidatura em detrimento de outra. Temos ainda uma eleição municipal antes de tudo isso, que será importante para avaliar a condição real do PSDB. O trabalho que precisamos fazer até escolher uma candidatura [a presidente] é fortalecer o partido com a aproximação com outros partidos para fortalecer um projeto.

 Com a presidente Dilma Rousseff em alta e a economia indo razoavelmente bem, o que o PSDB precisa fazer para ganhar a próxima eleição presidencial?

Fazer a oposição responsável que o PSDB sempre fez. Mas o trabalho maior é a reaproximação com a sociedade. Aproximar-se dos movimentos sociais, sindicatos, juventude, lideranças estudantis. Estar afinado com a agenda dos brasileiros.

O que o país espera de um governo? O PSDB tem condições de dar essas respostas com a capacidade dos nossos quadros. Para isso é fundamental melhora a comunicação coma a sociedade, algo notoriamente identificado por nós, como a maior falha do nosso partido durante o nosso governo [de FHC] e depois dele.

 O PSDB não sabe valorizar a parte que lhe cabe no bom momento do país?

Exatamente. Não soubemos nos defender de alguns ataques e não soubemos divulgar e explorar as boas ações que conquistamos. Hoje o Brasil colhe os frutos plantados pelo PSDB – como a estabilidade da economia, que foi o maior avanço de todos os tempos; a Lei de Responsabilidade Fiscal; o fortalecimento das instituições; o respeito internacional. Com a economia estável, o governo pôde avançar em vários setores. E o alicerce foi dado pelo PSDB.

 O principal equívoco da campanha de 2010 teria sido quando José Serra se colocou como a continuidade do Lula? Teve até o slogan “depois do Lula vem o Zé…”

Foi um erro. Não souberam explorar e divulgar as boas ações do PSDB. A campanha foi um tanto sem foco, sem caminho claro, com idas e vindas. Isso por um lado é natural em uma campanha, quando não se consegue crescer como se gostaria.

Lembro da minha campanha em 2008 [à prefeitura de Curitiba], eu estava muito forte para a reeleição e meus adversários não sabiam se me agrediam ou elogiavam meu governo.

Se batiam em mim, crescia a rejeição deles. Se não batiam… Ficaram num dilema. A candidatura da presidente Dilma era muito forte, com um grande padrinho político, o Lula. Nós ficamos meio sem diretriz de campanha.

 Como o senhor pode colaborar com isso?

Um bom exemplo que podemos dar em 2014 são as boas administrações de nós, os oito governadores do PSDB. Cabe a nós darmos um exemplo de gestão com resultados e ética.

Fonte: votebrasil.com

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