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Cúpula das Américas termina sem consenso

A 5ª Cúpula das Américas terminou hoje com uma curiosa solução diplomática para a falta de unanimidade sobre o documento final. Os chefes de Estado presentes passaram ao primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, a atribuição de assinar a Declaração de Compromisso de Port of Spain. Nos debates da manhã, a Venezuela e seus aliados da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) presentes ao encontro dobraram-se a essa solução, que deixou latente os conflitos em torno de Cuba e da crise econômica global.
Com essa iniciativa, os 34 líderes evitaram que, pela primeira vez, a Cúpula das Américas fosse encerrada sem a divulgação de um texto de consenso, ato que marcaria a desintegração desse fórum de diálogo entre latino-americanos e caribenhos, de um lado, e os Estados Unidos e Canadá, de outro. Nem mesmo na cúpula anterior, em Mar del Plata (Argentina), a decisão de acabar com as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) havia impedido a emissão de um documento final.
Na entrevista à imprensa, ao final do encontro, Manning reconheceu que houve “consenso” sobre a aprovação da declaração – de caráter insosso e centrado em questões sociais, de energia e de meio ambiente. Mas não se alcançou “unanimidade” sobre o seu conteúdo durante a reunião, que se estendeu por quase três dias.
A foto oficial que marcaria o final do encontro estampou a falta de sintonia fina entre os 34 países. Os chefes de Estado chegaram, um a um, à escadaria do Centro Diplomático, onde se deu o “retiro” dos chefes de Estado – momento em que puderam falar livremente. O desajuste foi marcado especialmente pelos países da Alba presentes ao encontro – Venezuela, Bolívia, Honduras, Nicarágua, Equador – sobre temas sensíveis, como o fim do embargo econômico dos EUA a Cuba e sua reinserção no espaço interamericano.

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