Cunha mergulha o Brasil mais fundo na lama

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Brasília - Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante sessão plenária para a leitura do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Brasília – Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante sessão plenária para a leitura do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Depois de tantas falsas promessas, não é difícil de enxergar por que Dilma é tão detestada. Ela merece o título que detém de presidente mais impopular e ineficaz da história moderna brasileira. Mas, embora a insatisfação com o governo tenha fundamento, o acolhimento de um pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, foi claramente um ato pessoal de vingança.

Cunha anunciara sua decisão apenas horas depois de três membros petistas do Comitê de Ética da Casa afirmarem que votariam para removê-lo do Congresso. Dilma merece ser punida por sua irresponsabilidade fiscal, mas este é um assunto técnico. Em uma democracia o impeachment é a arma suprema, que deve ser sustentada sobre uma base legal e política sólida.

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Agora, Dilma se prepara para a batalha com a faca nos dentes. O PT chama o impeachment de “golpe”, o que é um exagero, mas o processo prenuncia uma longa disputa que vai polarizar e monopolizar o Congresso durante os próximos meses. No momento não há razão para crer que a oposição tenha os votos necessários para remover a presidente. No ano que vem, no entanto, isso pode mudar, especialmente se aparecerem evidências de uma ligação entre Dilma e a corrupção na Petrobras.

O impeachment é a distração-mor para um governo que já estava distraído demais para governar. Isso é um mau presságio para a economia. Dilma, talvez, merecesse mais alguns meses para tentar negociar o ajuste fiscal e conter a crise econômica. Se ela fracassasse, haveria um forte argumento para convencê-la a renunciar, pelo bem do país. Ao atingi-la precocemente e no mais frágil terreno, Cunha pode ter dado a uma presidente frágil, cambaleante e autodestrutiva um longo sopro de vida.

 

Fonte: Opinião&Notícia

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