Culpados ou inocentes?

Por Claudio Schamis – opiniaoenoticia.com.br

Começa nesta quinta-feira, 2, a Olimpíada do Supremo Tribunal Federal (STF). Talvez a mais importante da história do nosso país. Qualquer “falha” de julgamento no tatame pode representar o golpe fatal naquilo que ainda chamamos de Justiça. Não queremos falhas. Não merecemos falhas. Queremos derrotar cada um dos 38 réus com um Ippon. Não temos estômago para Wazari. Tudo de ruim que podia acontecer, já aconteceu. Mas em se tratando de justiça no Brasil, fica sempre aquela pergunta: será?

Não queremos que uns sejam sacrificados por outros, como já vimos acontecer. Algo do tipo, vamos condenar A, B e C e assim as pessoas ficarão contentes e nem irão reparar se inocentarmos de D a Z e um pouquinho mais.

Acredito no STF. E na Justiça suprema. Mas em se tratando da Justiça feita, analisada, interpretada por homens, mesmo que os de capa preta, ninguém consegue prever que bicho vai dar. Quem entende de bicho é o Cachoeira.

Nós, brasileiros e brasileiras, apostamos na Justiça. Pelo menos apostar ainda pode. E nesse caso são todas as fichas. Além de nossos sentimentos como homens de bem, que não aguentam mais ouvir o riso e ver o escárnio dessas pessoas.

Façam as suas apostas, pois eu já fiz as minhas.

Antonio Fernando de Souza diz que é só uma questão de olhar. Que está tudo ali.

E aí, você tá vendo o que eu estou vendo?

Será essa a pergunta que não quer calar?

Segundo o autor da denúncia do mensalão e ex-procurador, Antonio Fernando de Souza, está tudo lá. Não é preciso aumentar ou colocar mais nenhuma vírgula. É só uma questão de abrir os olhos e julgar. Pá, pum. Simples assim.

E não é tão complicado como muitos acham, como o Lula, que ainda diz que tudo é uma farsa inventada por mentes diabólicas. E que não há provas.

Ledo engano. Há provas. E hoje há laudos corroborando essas provas, mas fazer com que todos tenham os mesmos olhos é difícil. Existe ainda um abismo que irá separar (ou tentar separar) o bem do mal. Se bem que nesse caso só tem o mal.

Antonio Fernando acha que, com os elementos que se conseguiu reunir, os ministros do STF poderão condenar os principais réus desse escândalo e desse julgamento que já entrou para a história.

Ainda assim eu tenho medo de que pessoas influentes (não se pode negar), como José Dirceu, saia pela porta da frente livre e rindo.

A hora para se mudar o tom de chacota com a Justiça é agora. E não fazer justiça apenas para agradar a opinião pública e sim fazer justiça pelos fatos apresentados.

É tudo uma questão de olhar, ver e enxergar. Tudo junto. E misturado.

É preciso deixar claro que no país do futebol, do carnaval, do jeitinho brasileiro, existe sim um limite para tudo. E a hora de mostrar isso é aqui e agora.

A justiça é cega, não burra!

Dias Toffoli afirma que não terá problemas em enxergar nada

Infelizmente o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, não tem o poder de impedir ninguém de participar do julgamento do mensalão. Segundo ele, a decisão do ministro Dias Toffoli é soberana e somente dele. Sabe-se que antes de se tornar ministro, ele foi advogado do PT, foi assessor jurídico da Casa Civil quando o ministro era José Dirceu, foi também advogado-geral da União e é amigo de Lula, que deu o maior apoio para que ele participe do julgamento.

Não precisa dizer mais nada, né? Eu tenho com os meus botões pensado a respeito, e acho que a coisa mais coerente e justa seria que Toffoli se declarasse impedido de participar desse julgamento, pois na hora da emoção poderia, nem que por um átimo, dizer sim quando talvez quisesse dizer não. Não merecemos correr esse risco.

Acho temeroso acreditar que um homem consiga separar a razão do sentimento, ainda mais num caso como o mensalão. Mesmo sendo um ministro do STF, que é humano como nós.

Antes de abandonar o barco, Thomaz Bastos bate continência e diz: Fui!

Vada a bordo, Márcio!

Dessa vez não vai colar. A bordo ele não volta. Nem mesmo o “grito” do todo poderoso Carlinhos Cachoeira conseguiu fazer com que o advogado Márcio Thomaz Bastos, que defendia o contraventor por R$ 15 milhões, não deixasse o barco no meio da cachoeira. Márcio desistiu de tudo um dia após a mulher de Cachoeira ter sido acusada de ameaçar um juiz. Segundo dizem, isso foi mera coincidência. Vai saber?

A grande verdade é que Márcio começava a ficar preocupado é com a imagem dele sendo cada vez mais vinculada ao bicheiro. As pessoas já estavam comentando como um cara como o Márcio podia se envolver com um cara como Cachoeira? Mas se havia essa preocupação em não macular sua grande biografia, por que cargas d´água então aceitou ser advogado de um cara como Cachoeira? Vai dizer que Márcio nunca avaliou isso antes de dar o valor da sua defesa?

Ou será que no começo Márcio achou que caso precisasse, com R$ 15 milhões poderia se dar ao luxo de fazer uma plástica na sua imagem? É certo que a vaidade falou mais alto e ele pulou fora e deixou Carlinhos à deriva.

Salvem as baleias. Não joguem lixo no chão. Não fumem em ambiente fechado.

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