Cruzada evangélica avança sobre o congresso

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Embalada pelos 36 milhões de fiéis do país, segundo estimativas do IBGE, bancada religiosa trabalha para praticamente dobrar o número de representantes na Câmara dos Deputados.

Quatro anos depois de sua maior crise, quando escândalos de corrupção mancharam a reputação de alguns dos seus principais integrantes, a bancada evangélica na Câmara dos Deputados quer alcançar o milagre da multiplicação dos votos.

Com dogmas flexíveis, diferentemente da Igreja Católica, que restringe a filiação de padres e párocos em partidos políticos, pastores e líderes evangélicos das mais variadas denominações arregaçaram as mangas embalados pelo crescimento sem limites do protestantismo no país.

De 2000 a 2010, conforme estimativa do censo do IBGE, que será finalizado em outubro, o número de fiéis evangélicos deve saltar de 26,1 milhões para mais de 36 milhões. A maioria tem baixa renda, baixa escolaridade e mora nas periferias das cidades, conforme estudo do cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC do Rio de Janeiro.

Mirando essa escalada, lideranças políticas evangélicas já dobraram os joelhos em prol de um recorde histórico: conquistar 90 das 513 cadeiras de deputado federal. O levantamento reservado é da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) com base em registros de candidaturas repassadas pelas maiores igrejas evangélicas do país. Devido à dança das cadeiras das eleições de 2008, a bancada evangélica tem hoje 51 representantes, divididos em partidos grandes e nanicos.

Mas, enquanto os evangélicos lutam por mais espaço no Parlamento, os sacerdotes católicos são praticamente alijados da vida pública. Por causa do rigor da Igreja, a bancada católica só tem dois representantes – os padres deputados José Linhares (PP-CE) e Luiz Couto (PT-PB).

Os dois tentam a reeleição, entretanto, a novidade de que se tem notícia é o registro da candidatura do prefeito de Alto Alegre dos Parecis, Máriton Benedito Holanda, o Padre Ton, candidato a deputado federal pelo PT de Rondônia. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o petista Padre João é o único entre 77 parlamentares.

Tanto os evangélicos quanto os católicos afirmam que não detêm a relação dos candidatos religiosos que vão disputar a eleição de outubro. O mesmo ocorre com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que alega que faz os registros das candidaturas de acordo a profissão informada por cada postulante.

Com enorme penetração no estado do Rio de Janeiro, a Igreja Assembleia de Deus, da qual um dos maiores expoentes é o pastor e apresentador de TV Silas Malafaia, almeja dobrar o número de representantes na Câmara dos Deputados.

Embora Malafaia não seja candidato, a congregação trabalha para eleger 40 deputados federais com a bênção de mais de 8,5 milhões de fiéis. Especula-se que a tática arrojada, na realidade, representa uma nova ofensiva da seita frente ao fracasso nas últimas eleições, quando metade da bancada foi barrada nas urnas por suspeita de participação com a Máfia dos Sanguessugas.

Em São Paulo, onde está concentrado o maior número de integrantes, a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), do empresário e bispo Edir Macedo, quer ver sua bancada saltar de oito para 17 deputados federais.

Em 2006, a bancada da IURD foi atingida em cheio pela repercussão negativa provocada pela renúncia do bispo Carlos Rodrigues (ex-PL), que depois virou réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do mensalão que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). No Senado, o bispo Marcelo Crivella (PRB-RJ) concorre a mais um mandato de oito anos.

Com uma proposta menos arrojada, a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, dos bispos Estevam e Sônia Hernandes, ora pela reeleição do bispo Gê Tenuta (DEM-SP) e pela eleição do cantor gospel Marcelo Aguiar (PSC), que cumpre mandato de vereador por São Paulo.

Comunicólogo de TV e rádio, teólogo e empresário têxtil, Gê Tenuta transferiu seu domicílio eleitoral de São Paulo para se candidatar a deputado federal pela Bahia. Atualmente, mora em Salvador. Fundada em 1986, no apartamento do casal Hernandes, a Renascer ganhou notoriedade mundial depois que o jogador Kaká saiu em defesa dos bispos, suspeitos de vários problemas com a Justiça.

Apoio ao sobrinho

Em Minas Gerais, a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) tenta emplacar a segunda geração política no Congresso sem abrir mão da eleição do deputado federal Mário de Oliveira (PSC), fundador e líder supremo da seita, e seu irmão, o também pastor e deputado estadual Antônio Genaro (PSC).

Depois de 24 anos de Congresso, Mário vai apoiar para deputado federal o sobrinho Stefano Aguiar dos Santos (PSC). Com cerca de 300 mil fiéis e 600 igrejas no estado, Stefano vai buscar votos no interior, enquanto o tio mira os fiéis de Belo Horizonte. Na ALMG, Genaro tenta o sétimo mandato consecutivo, mas lançou o filho Leandro Genaro (PSC) para o mesmo cargo.

Ezequiel Fagundes – Estado de Minas

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3 comentários para “Cruzada evangélica avança sobre o congresso”

  1. ? Silva Siqueira disse:

    Lula aprovou lei que exige 2 documentos para eleitor votar-Postado dia 29 de setembro de 2010 às 6:22 -Em vez de entrar com ação no Supremo questionando a exigência do título de eleitor e documento com foto na hora de votar, o PT deveria se queixar ao “patrão”: foi Lula quem sancionou, há exatamente um ano, a lei 12.304, que no artigo 91-A exige os dois documentos. O PT alega risco de “confusão” e “restrição à cidadania” – de olho no eleitorado em rincões do Nordeste, desinformados e com grande abstenção.‘Desespero’-Para a oposição, é “desespero de um possível segundo turno” a ação do PT, contestada nesta segunda (27) pelo DEM no Supremo.

  2. ? Silas Marques disse:

    Punido pelo PT há um ano por condenar a legalização do aborto, o que o levou a mudar de partido, o deputado federal Luiz Bassuma (PV-BA) fez críticas à atual postura da candidata petista, Dilma Rousseff, ressaltando que a ex-ministra sempre foi favorável à descriminalização dessa prática.

    Candidato derrotado ao governo da Bahia pelo PV, Bassuma diz que é um casuísmo eleitoral a mudança de discurso de Dilma sobre o tema e defendeu o voto no tucano José Serra.

    – O PT fechou questão a favor da legalização do aborto, e Dilma sempre defendeu essa tese.

  3. ? Cristianismo sob ataque disse:

    “O esquecimento da religião conduz ao esquecimento dos deveres do homem.”
    (Jean-Jacques Rousseau)- Os conflitos desde a antiguidade eram considerados “guerras justas” quando por honra ofendida; vingança, sobrevivência, para corrigir erros tidos conflitantes com a crença dominante e até como defesa preventiva contra ataques de outros grupos bárbaros ou pagãos e assim foram as cruzadas. Hoje as cruzadas são contra os que afrontam a religiosidade em que esta ancorado a sociedade.