Crise derrubou popularidade do governo, mas não a de Dilma

Por Fábio Góis – congressoemfoco.com.br

As notícias de corrupção em ao menos três ministérios (Transportes, Agricultura e Turismo) provocaram uma primeira queda na popularidade do governo e da presidenta Dilma Rousseff. Embora os números ainda sejam bem positivos, os índices caíram com relação à rodada anterior da pesquisa. Pesquisa CNI-Ibope divulgada nesta quarta-feira (10) (confira a íntegra) mostra que a aprovação popular em relação ao governo caiu para 48% em julho (em março o percentual era 56%). Mas 67% (dois terços) dos consultados aprovam a maneira como Dilma exerce a Presidência da República (nesse quesito, 25% desaprovam Dilma, enquanto 8% não souberam responder). Esse número também caiu: era de 73% na rodada anterior. Além disso, 65% dos entrevistados dizem confiar na petista. Nova queda: o percentual antes era de 74%.

Encomendada pelo instituto Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a pesquisa consultou 2.002 pessoas entre 28 e 31 de julho, em 141 municípios de todo o país (margem de erro de 2 pontos percentuais  para mais ou para menos, e 95% de “grau de confiança”). Ainda em relação ao governo Dilma, 57% desse universo de cidadãos o considera igual à gestão de oito anos do presidente Lula (em março, esse número era 64%).

Ao todo, o levantamento se debruçou sobre nove setores da governança – todas eles registraram queda no índice de avaliação positiva por parte daquele recorte da população. No entanto, a maioria dos entrevistados aprova o modo como o governo conduz as políticas voltadas ao combate à fome e à pobreza (57%) e à defesa do meio ambiente (52%). Já as ações direcionadas à diminuição do desemprego têm a aprovação de 49% dos consultados.

Nas demais áreas, o panorama é o seguinte (sempre considerando-se a percepção de julho em relação a março): 69% dos entrevistados reprovam as ações do governo no setor de saúde e impostos (os descontentes eram 53% quatro meses antes); já a área de segurança pública registrou 65% de reprovação popular (49% era o índice anterior); educação teve desaprovação aumentada de 43% para 52%. Em seguida, combate à inflação (de 42% para 56%) e política de juros (43% para 63%) também registraram aumento no percentual de descontentamento de março para julho.

“Todos os governos têm uma avaliação muito positiva no início do mandato, por causa do otimismo dos eleitores com o resultado das eleições. Mas, diante da manutenção de problemas estruturais nas áreas de saúde, educação e segurança pública, as avaliações tendem a piorar”, observou o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Carlos Castelo Branco, para quem a queda nos índices de aprovação é natural no mês de julho.

Ainda segundo a pesquisa, a despeito na queda de aprovação do governo Dilma, a maioria dos 2.002 entrevistados (55%) considera que a conjuntura pode melhorar, e o governo pode aprimorar suas políticas em relação às nove áreas analisadas. Em março o percentual de otimismo entre os entrevistados era de 68%.

 

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